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FESTIVAL DE FOLCLORE - 31º ANIVERSÁRIO DO RFEA

24 maio 2019

Terminámos com chave de ouro as comemorações do nosso 31º aniversário, com o Festival de Folclore que teve lugar no passado dia 27 de abril.
Excecionalmente, e devido às comemorações da Páscoa, o Festival decorreu no último fim de semana de abril, depois de um mês repleto de atividades e, como não podia deixar de ser, de muitos ensaios, trabalho e total dedicação.
Se durante o mês houve momentos em que ansiámos ferverosamente pelo final do mesmo, a verdade é que uma vez terminado, o mesmo já deixa saudades e uma certa nostalgia. Sabemos que isso passará depressa, pois já estamos a pensar no mês de maio e nas muitas atividades que já estão marcadas.
Como sempre o abril, é um mês recheado de momentos únicos, onde as emoções estão à flor da pele, pois recordamos alguns momentos passados, conquistas, perdas, deceções, alegrias, muitos sacrifícios e muitas recompensas.
Tem sido assim ao longo destes anos. O que é bom tem compensado largamente o menos bom e juntos temos sabido crescer como grupo e como pessoas.
Começamos o mês com o nosso almoço de aniversário, seguindo-se a Gala, com homenagem a um dos fundadores do Rancho e por fim o Festival de Folclore.
O momento agora é de agradecimentos, pois sem o apoio e a ajuda de muitas pessoas seria impossível a concretização de tantas atividades e o sucesso das mesmas.
Em primeiro lugar agradecemos aos Ranchos participantes no Festival, nomeadamente o Rancho Folclórico Rec. e Cultural “As Florinhas” Rio Meão, do Rancho Folclórico de Alenquer, Rancho Folclórico Luz dos Candeeiros e o Rancho Folclórico “Os Camponeses” da Peralva, que com a sua excelente atuação contribuíram para o sucesso do mesmo.
Um agradecimento especial ao Mário Ana, por ter aceite mais uma vez (e ao longo deste trinta e um anos apenas uma vez não pode estar presente) o convite para fazer a apresentação do Festival e ao Mário Santos pela sua presença e apoio.
Ao centro Recreativo e Cultural de Alviobeira e ao Conselho Pastoral um obrigado pela cedência das instalações.
Á "Rosa do Zêzere - Padaria e Pastelaria" um obrigado pelo pão, pela divulgação do nosso trabalho e por se associarem a nós neste dia tão especial.
Aos familiares dos componentes um agradecimento especial, sentir a vossa ajuda, apoio e colaboração enche-nos o coração e torna tudo mais fácil e simples.
Por fim o agradecimento maior tem que ir para os componentes deste Rancho, que continuam a dar-se de corpo e alma e a entregarem-se sem medos nem reservas a novos projetos.











SERRAR DA VELHA

16 abril 2019


Em épocas passadas, a Quaresma, período que vai desde a quarta-feira de cinzas até à quinta feira santa, era um tempo de silêncio profundo e de muita devoção.
Tempo de penitência, oração e jejum para todos os fiéis, onde não era permitido nem bailar nem cantar e o jejum era respeitado por todos.
Num tempo em que quase nenhuma animação havia na aldeia, “o Serrar da Velha”, que acontecia obrigatoriamente a meio da Quaresma, era encarado como um divertimento.
Durante a noite, um reduzido número de rapazes/homens dirigia-se para o pinhal mais alto da povoação e daí gritavam graças (em frases ou mais usualmente em rimas) alusivas a factos relacionados com as pessoas da comunidade.
Quando as condições geográficas o permitiam, através da existência de mais pinhais no perímetro da povoação, chegava-se mesmo a estabelecer diálogo previamente combinado entre grupos situados em pinhais diferentes.
No Serrar da Velha revelavam-se muitos namoros, até infidelidades encobertas, quantas vezes levantando-se calúnias. Muitas situações delicadas se criaram com as pessoas atingidas ou seus familiares a perseguirem quem se julgava serem os autores das rimas.
O reduzido número de participantes tinha por objectivo, por um lado, a manutenção do segredo do anonimato, anos fora, consoante a gravidade das acusações ditas, por outro, permitir uma mais fácil fuga.
E em caso de fuga forçada, chegavam a dividir-se, indo cada um para o seu lado, reunindo-se posteriormente em local previamente combinado.
Quem ia serrando a velha embora o funil já distorcesse a voz, ainda mais a disfarçava, mesmo na pronúncia a fim de não ser reconhecido.
O Serrar da velha faz parte do plano de actividades do Rancho já a algum tempo, que inicialmente optou pela recriação ao ar livre, aproximando-a do original, mas que depressa percebeu que o Serrar da Velha teria que passar por um espectáculo de palco, já que as nossas aldeias já não são tão silenciosas, escuras e místicas como noutros tempos.
O Rancho viu-se assim obrigado a repensar a forma de manter viva a tradição e despertar nas pessoas a vontade de assistir à recriação/espectáculo, acabando por optar por apresentá-lo num espaço fechado.
Apresentado de formas diferentes ao longo dos anos, desde reconstituição, comédia, espectáculo multimédia, a verdade é que a essência do Serrar da Velha está sempre presente e o testamento da velha em nenhum deles pode faltar.
Este ano o Serrar da velha, continuou em registo de comédia, arrancando muitas gargalhadas aos presentes.
Em palco um casal de idosos, no qual a Albertina, farta de cuidar do seu Manel e na impossibilidade de fazer a vida das suas comadres que iam para todo o lado, desde excursões, universidade sénior e até programas de televisão, desejava a morte do seu marido. No dia que finou, o marido acordou a lembrar-se de histórias passadas, e do Serrar da Velha. A nostalgia de outros tempos, as histórias passadas foram o mote para o desenrolar da história.
A conversa com as comadres à espera do padeiro, com a Maria Palmira e do Patrocínio que esperavam o táxi para ir ao programa da Cristina e com a Ti Chica, a “Bruxa” da aldeia, foram reforçando o desejo da Ti Albertina "despachar" o seu Manel.
Não faltou o velório do Manel, a visita da filha da França e da filha ilegítima do Manel, a Vanessa.
Quase no final da peça, o Manel "o morto" ressuscitou, ainda a tempo do "serrar da velha". O testamento da velha contemplou várias pessoas, na sua maioria componentes do Rancho. A gargalhada foi uma presença constante ao longo de toda a peça.
Mas o Rancho continuará a fazer "Alviobeira Acontecer", durante o mês de Abril, com a comemoração de mais um aniversário, que conta já com trinta e um anos de vida, com um conjunto diversificado de atividades ao longo de todo o mês.
No dia 7 de Abril, será o almoço de aniversário, no dia 13 de Abril, o Rancho junta-se à Junta de Freguesia da União de Freguesias de Casais/Alviobeira antes da noite de gala (que terá lugar no CRCA pelas 21H30) para ser promovida pelas 19H uma cerimónia pública de descerramento das placas com o nome do ex-autarca e um dos fundadores do Rancho – António João Antunes, terminando as comemorações no dia 27 de Abril com o Festival de Folclore.
















A TRADIÇÃO DA MATANÇA DO PORCO

06 março 2019
















Antigamente a matança do porco era um momento de convívio sociofamiliar e ao mesmo tempo garantia a subsistência para a família nos penosos meses de inverno.
Nos mercados e feiras escolhia-se e comprava-se o porco para a engorda, que era bem alimentado, durante um ano, com produtos da natureza e restos de comida e que podia vir a pesar mais de 200 kg.
A matança do porco é uma tradição que está associada ao frio e ao Inverno, realizava-se normalmente nos meses de dezembro e janeiro. O dia era marcado conforme as conveniências das pessoas que ajudavam, ou em dia de celebrações especiais.
Era verdadeiramente uma grande festa da família à qual se juntavam os amigos e vizinhos.
Chegado o dia da matança, começava a juntar-se as pessoas e antes de iniciar-se o trabalho tomava-se o mata-bicho.
Os homens agarravam o porco e colocavam-no em cima da banca. O mestre de faca afiada, com um golpe rápido e certeiro, espetava o porco de modo a atingi-lo na zona do coração, provocando o mínimo de sofrimento do animal.
As mulheres colocavam um alguidar com vinho ou vinagre e sal debaixo do porco para aparar o sangue e mexiam durante algum tempo para o sangue não coalhar, sangue esse que seria depois destinado à comida e enchidos.
O porco era chamuscado com mato para queimar a pele e os pelos. Rapavam muito bem o couro com pedaços de telha canudo e lavavam-no com água, sendo que era ponto de honra ficar o porco bem chamuscado e bem lavado. Nesta altura havia brincadeiras e ao lavar as orelhas do porco tentava-se enganar os miúdos que acabavam salpicados com a água que saltava ao dar-se um “murro” na orelha do porco.
Seguia-se a tarefa de abrir o porco de alto a baixo e retirarem as tripas para um alguidar.
As mulheres levavam as tripas para junto de um ribeiro e lavavam-nas para tirar a sujidade. Primeiro eram lavadas com água e depois fazia-se uma mistura com alho, louro e limão, para tirar o mau cheiro das tripas. Todos os dias lavavam as tripas com esta mistura até ao momento de fazer os enchidos.
Depois o porco era pendurado normalmente na adega, com a cabeça para baixo para a carne enrijar e enxugar, utilizando para o efeito o chambaril.
Era servido o petisco com pequenos nacos de carne retirado das abas do porco, bem regado com o vinho da safra. 
Na manhã do dia seguinte, o mestre com a sua arte de desmanchar, desfazia o porco. As mulheres picavam a carne para os enchidos.
Os presuntos eram salgados e colocados na salgadeira, este processo era feito para preservar as carnes.
O almoço do dia seguinte à matança era  um verdadeiro almoço de família, farto e prolongado.
Hoje em dia o abate de porcos é feito em matadouros industriais (e ao contrário do que se possa pensar o processo não é menos doloroso que o tradicional, muito pelo contrário) sendo que em algumas comunidades rurais a criação do porco para sustento familiar ainda persista sendo, no entanto cada vez mais raro.
A carne de porco continua a ser consumida pelas famílias embora a sua qualidade pouco ou nada tenha a ver com a de antigamente.
Do porco, tudo se aproveita para uso culinário - desde o focinho até ao rabo. Mas, apesar da popularidade do suíno, a má fama persegue-o: muitos consumidores associam-no a uma carne gorda e rica em colesterol, o que não é de todo verdade pois depende muito do corte escolhido.
Recentes mudanças nos hábitos alimentares e a maior preocupação com a saúde, tem levado as pessoas a consumiram uma menor quantidade de carne de porco.
A verdade, é que ao longo da nossa vida somos confrontados com uma série de situações que nos obrigam a fazer escolhas, sendo que algumas das escolhas que temos de tomar dizem respeito às nossas opções alimentares.
No seio deste grupo, (constituído por cerca de cinquenta pessoas) também há, quem tenha há muito abolido a carne da sua alimentação, outros continuam a ser carnívoros assumidos. Convivemos bem com as diferenças e com as opções de cada um, dizemos por aqui que se trata de respeito à liberdade de escolha de cada indivíduo, mas talvez isso seja apenas um comportamento associado a gente “atrasada”, pouca instruída, “bárbara” e “anormal”.
Para quem é contra a matança do porco, mas que não se inibe de ameaçar de morte quem não partilha das suas ideias, ou que depois de insultar os outros no Facebook, se senta à mesa a disfrutar de uma bela refeição de carne, peixe, ou de legumes, (pois há também quem defenda que as plantas sentem quando são mastigadas) apenas um pequeno registo no sentido de alertar para a necessidade de respeitar para ser respeitado já que a tolerância passa pela aceitação e pelo respeito às diferenças em relação à cultura, modo de expressão e liberdade.
A tradição da matança do porco surge associada à subsistência das famílias e não a nenhum ritual. Em tempos, a carne obtida nesta altura era a única que a família consumia ao longo do ano.
Assim sendo, e devido à importância que a matança do porco assumia na vida dos nossos antepassados e pelas memórias que muitos de nós temos associadas à verdadeira festa proporcionada pelo encontro e pela partilha das famílias, o Rancho de Alviobeira, pela segunda vez, decidiu fazer a matança do porco, tendo desta vez a colaboração da União de Freguesias Casais Alviobeira, a qual muito agradecemos.
O dia eleito e por forma a conciliar as diferentes atividades promovidas por este grupo e pelas restantes coletividades da freguesia, foi o Domingo Gordo, o último domingo que antecede a quaresma, onde era tradição comer cozido à portuguesa, como despedida da carne, já que a Quaresma era tempo de total jejum.
Assim no sábado, procedeu-se à matança do porco e no domingo ao almoço em família, aberto a todas as pessoas que quiseram associar-se a nós neste evento tão “caseiro”.
O evento coincidiu com o domingo de Carnaval e como o Entrudo também fazia parte das tradições dos nossos antepassados, no final do almoço os caretos apareceram e animaram a festa.

RONDA DAS ADEGAS

03 dezembro 2018
















Já com o final de ano a avistar-se, ainda há tempo para a realização de mais um evento, sendo que, este, é especial e ansiado por todos com alguma expectativa.
Todos já conhecem o conceito do evento “Ronda das Adegas”, mas a curiosidade sobre os locais eleitos e as actividades escolhidas paras os mesmos, mantém-se até ao último minuto. Este é um evento que cresceu, - e a vários níveis – apresentando-se, agora “mais variado e ainda mais ecléctico”.
Para quem gosta de construções antigas, natureza, pessoas, sabores de outros tempos, não há melhor evento que este. As pedras, árvores, caminhos, lareiras, utensílios, ganham vida e contam histórias. Por momentos o silêncio que impera neste locais é quebrado pelas vozes animadas de todos aqueles que aceitam o convite do RFEA e embarcam nesta aventura.
Não há evento que dê mais prazer de organizar que este. A procura, descoberta e visita aos locais é interessante, assim como o diálogo com os proprietários e a partilha das suas histórias contadas num registo de emoção, saudade, alegria e dor.
Na limpeza dos espaços descobrem-se utensílios de trabalho, peças de mobiliário e tantos outros elementos decorativos, esquecidos à medida que foram substituídos por outros mais modernos e mais eficientes mas desprovidos de história.
Este ano o circuito escolhido contemplou casas antigas, adegas, espaços verdes, eiras, quintas, capelas espalhadas pelos lugares de Alviobeira, Cêras, Quinta do Boim, Casal Velho, Ganados, Dejusta, Casais, Torre e Azeites de Alviobeira e embora a chuva teimasse em cair, não assustou os participantes que se deslocaram em alguns locais a pé, e nas distâncias maiores, de autocarro alugado para o efeito.
A comida, expressão de cultura, memória e identidade, tem também um papel de relevo nesta Ronda. Os sabores são tradicionais e levam-nos a viajar até às cozinhas das nossas avós e bisavós e ao sabor único e especial da sua comida.
Se a comida é tradicional, já os espectáculos apresentados e escolhidos de acordo com a mística de cada local vão desde o tradicional ao mais alternativo, pretendendo mexer com as emoções do espectador.
Por fim, mas não menos importantes os cheiros, a memória olfativa é uma das mais duradouras, ultrapassando a capacidade da visão e da audição de reter referências. O cheiro de cada lembrança é como uma máquina do tempo das sensações. Bastam apenas poucos segundos para que os aromas nos façam reviver experiências — sejam elas boas ou ruins. Aqui os cheiros são intensos e inesquecíveis, daqueles que impregnam o corpo e a alma.
No final do circuito, com a chuva a não dar tréguas, uma comidinha quente na Quinta da Runfeira. A chuva era muita, o fumo enchia a cozinha da Runfeira e a confusão estava instaurada, aquela que diverte e fortalece.
Para terminar o dia um concerto caseiro, feito com amigos e para amigos.
A sala de concertos improvisada foi a adega da Runfeira, o lagar de uvas serviu de palco improvisado, e embora o conforto não fosse muito, - pormenores sem importância- , o momento foi especial. O momento teve a presença dos seguintes artistas: o Hugo, que acompanhou à viola o Mendes, Zé Carlos e Catarina, a Fatinha uma voz da qual já tínhamos saudade, o Paulo e João uma presença habitual da Ronda e do poeta Roberto.
Boa música acompanhada de velhoses acabadinhos de fritar e café da cafeteira, há lá coisa melhor!?