Este ano, é ano de azeitona!
As bagas negras luzem em abundância nos ramos das oliveiras.
Parece que este ano, os olivais ganharam a magia e o encanto de outros tempos!
Antigamente era assim:
O som do búzio rompia o silêncio da madrugada!
Nas ruas ao ouvir-se este sinal, começava logo a sentir-se alegre alvoroço de mistura de vozes e sinais de raparigas que se saudavam amigavelmente.
As mulheres e raparigas, de cesta no braço com a merenda, com o xaile traçado no peito e o lenço na cabeça, lá iam em grande alegria a juntar-se ao grupo de homens e rapazes que as aguardavam de vara ao ombro.
Reunido o grupo, lá iam para os olivais.
Nos olivais não havia “mãos a medir”, cada um cumpria escrupulosamente a sua obrigação. Os homens com as suas mãos calejadas iam ripando os ramos onde negrejavam as mil bagas luzidias.
Também havia horas admiráveis de alegria e encanto, sem quebrar o ritmo contínuo e produtivo de trabalho.
Por vezes, nos dias lindo de sol, que, não raro o Outono nos oferece, uma voz sonora e harmoniosa se erguia nos ares entoando uma cantiga:
Quando cai no lume estala
Assim é o meu coração
Quando com o teu não fala.

















