"INTIMIDADES"

03 junho 2013


 
Sem o nosso fotógrafo de serviço, a nossa reportagem fotográfica é pobre, mas o espetáculo esse foi inesquecível.
Alguns dos componentes do Rancho não conheciam o local, mas foi preciso pouco tempo para deixarem-se encantar pelo mesmo, que tem uma mística inexplicável. No final do dia (um dia longo, quente e cansativo) estávamos completamente rendidos àquele espaço e sonhávamos… era sem dúvida o espaço ideal para nós… e logo surgiram projetos, ideias… enfim sonhos!
O dia começou cedo. Passámos toda a manhã na limpeza e preparação do espaço exterior, até pensámos em fazer uma empresa de limpeza de espaços antigos, nunca se sabe!
A movimentação no local despertou a curiosidade de alguns, um grupo de peregrinos espanhóis que estavam a fazer o caminho de Santiago também por ali passou, mas entre conversas e explicações sobre o que seria o espetáculo “Intimidades”, o trabalho foi-se fazendo.
Destacamos a boa vontade dos vizinhos, que logo se disponibilizaram em ceder a luz e a água.
E por volta do meio-dia, já com um “escaldão” no corpo e as mãos calejadas, fomos almoçar.
Regressámos ao local pelas 16H e recomeçamos os trabalhos, era altura de colocar o som, os projetores, a passerelle, as cadeiras, ensaiar e voltar a ensaiar.
O tempo voou e quando olhámos para o relógio já era 19H30m. Tivemos apenas tempo para ir a casa tomar um banho rápido, comer alguma coisa, trajar e partir novamente para o local do espetáculo.
Pelo caminho fomos encontrando vários grupos de Alviobeirenses que decidiram ir a pé até Ceras, a noite assim convidada. A população de Ceras também marcou presença e a moldura humana foi-se fazendo.
À medida que os espetadores foram chegando foram encantando-se com o local e até os mais “críticos”, que nem sempre compreendem as opções do “artista”, não ficaram indiferentes à magia do espaço e depressa compreenderam porque o “Intimidades” tinha que  ser ali feito, era o sítio certo para um espetáculo que se queria íntimo mas grandioso.
A noite chegou e com ela o local ganhava uma magia inexplicável.
As tochas acesas, uma música ambiente no ar, tornaram o local ideal para o “Intimidades”.
Às 21H30m o espetáculo começou, pela passerelle desfilaram os trajos do Rancho, primeiro, os de trabalho, depois as crianças e os domingueiros.
“…A noite caía, os corpos cansados e exaustos. Ponha-se de parte as roupas e revelava-se a intimidade e a magia da roupa interior.
Sobre a pele branca nunca exposta ao sol, assentava a simplicidade do algodão. A roupa interior era também ela reflexo de uma forma de encarar a vida e de esconder o corpo raramente revelado até mesmo na intimidade…”
E assim foi! Desvendou-se a magia da roupa interior. E as raparigas apareceram à varanda do solar da casa da eira, em roupa de noite, num quadro único.
Os homens desceram a escadaria, desfilaram e dançaram com as raparigas ao som da música "Deixas em mim tanto de ti"…
Entre o desfile dos trajos, ouviu-se poemas de Florbela Espanca e de Alberto Caeiro, e apreciou-se a beleza da dança.
O solar da casa da eira ganhou vida, e nós tentámos deixar naquele local tanto de nós quanto aquele espaço fez pelo "Intimidades”.
A todos aqueles que contribuíram para a "intimidade" deste espetáculo o nosso muito obrigado.
Porque Alviobeira Acontece!

Círio a Dornes

27 maio 2013

Um dia para recordar por muitos anos!
No domingo de manhã os homens do Rancho,  trajados e transportando a bandeira de Nª Srª do Pranto começaram cedo o peditório em Alviobeira.
Pelas 10H, fez-se um intervalo para assistir à missa e cumprindo a tradição os foguetes fizeram-se ouvir na altura que se cantava o Santo na Eucaristia.
Depois da missa retomou-se o peditório.
Por volta das 16H, abri-mos as portas da nossa casa (Museu Rural e Etnográfico de Alviobeira) para oferecer vinho (oferecido pela Herdade dos Templários) e tremoços. E a casa foi pequena para tantos amigos que recebemos.
Cá fora a animação era grande, enfeitavam-se as bicicletas e as charretes com flores e mantas.
Nas casas a azáfama era ainda maior na preparação dos farnéis, e na procura dos talheres, pratos, copos, toalhas de linho, guardanapos e cabazes e cestas para transportar os farnéis. Procurava-se receitas antigas e nas ruas todos falavam dos farnéis de outros tempos. Muitas das nossas mães passaram a tarde na cozinha confecionando o coelho, a galinha, o bacalhau frito, cozendo o pão no forna da lenha… e enchendo a casa de cheiros e sabores de outros tempos que lhe enchiam a alma de recordações e os olhos de lágrimas de saudade. A Sicarze patrocinou os nossos farnéis com chouriço, presunto, tornando-os ainda mais deliciosos.
A noite foi mal dormida, tal era a ansiedade.
E quando o relógio despertou, logo saltámos da cama.
A primeira coisa a fazer foi olhar pela janela e olhar o céu, estava limpo e os primeiros raios de sol apareciam.
Trajámos, pegámos na cesta do farnel e saímos porta fora.
Era o dia do Círio a Dornes.
Com os farnéis debaixo do braço, ou à cabeça, lá fomos nós até à Igreja Paroquial para a oração do peregrino. Em procissão, ao som da gaita-de-foles e dos tambores, partiu-se da Igreja, até junto às galeras e charretes que nos aguardavam no início da Rua do Comércio.
Os cavalos e as éguas com as respetivas charretes e galera estavam à nossa espera, só possível graças ao Sr. José Manel, Sr. Luís, Major Escudeiro e Sr. Victor, que aceitaram este desafio e que foram para nós companheiros de peregrinação, partilhando vivências e emoções.
Uns de charretes, outros de bicicletas, outros de carros antigos, rumamos até Dornes, em festa, cantando e acenando a todos aqueles que encontrávamos pelo caminho.
Na eira em Paio Mendes, uma pausa para o descanso dos cavalos e para a “bucha” da manhã.
Abrimos os nossos cestos e retirámos o nosso farnel confecionado com tanto amor.
Chegados a Dornes, à nossa espera estava a Banda da Frazoeira que nos acompanhou na procissão até à Igreja de Dornes e a quem muito agradecemos.
Na missa ouviu-se os cânticos antigos, ensaiados pelo coro de Alviobeira e pelos componentes do Rancho, durante algumas semanas.
Depois da Missa, abriu-nos novamente as cestas e partilhou-se os farnéis.
Depressa chegou as 17H, hora para a oração do terço.
À saída do terço, uma chuva “divina” caiu e só parou quando chegámos à eira a Paio Mendes.
Completamente “molhados” mas felizes, não parámos de cantar, e quando chegámos a Alviobeira, cantando o Avé e debaixo de uma “chuva” de pétalas, as lágrimas teimavam em cair pelo rosto de muitos.
Á medida que entrávamos em Alviobeira, os aplausos fizeram-se ouvir, e os nossos rostos brilhavam de alegria.
Fomos à igreja, era agora altura para agradecer a Nª Srª do Pranto o dia que nos tinha dado.
Quando saímos, a concertina fez-se ouvir era agora altura para o bailarico.
Cantámos e dançamos, até o sol se pôr.
E partimos para nossas casas, com o coração cheio, a transbordar…
Como é tão fácil ser feliz.

150 anos nos caminhos da fé e do culto ao Divino Espírito Santo

15 maio 2013


Círio a Dornes


Alviobeira Acontece!

07 maio 2013


Caminhos Cruzados III

03 maio 2013


Caminhos Cruzados!
Tudo começou em 2008!
Uma peça de teatro que virou filme.
Sem grandes tecnologias, com pouca experiência na montagem de filmes, lá fomos à descoberta, certos de que só fazendo se aprende.
O entusiamo foi grande, as filmagens, uma animação e o resultado final divertido.
Em 2010, o segundo Caminhos Cruzados, com as mesmas personagens mas com novas histórias.
Os artistas foram ganhando à vontade, a história trouxe novos caminhos cruzados e um mistério por desvendar: “Quem queria matar o Chico?”
Os anos passaram, mas as pessoas continuavam em tom de brincadeira a perguntar: “Quem quis matar o Ti chico!?”
No ano em que comemoramos os 25 anos, não podíamos deixar de produzir o terceiro Caminhos Cruzados. A tarefa parecia à partida difícil, para muitos acredito que seria quase impossível, mas nós não poderíamos deixar de o fazer.
O final do mês de Março e Abril, era o tempo que nos restava para escrever, gravar e produzir os Caminhos Cruzados III. Era de loucos, e foi…
Entre atividades mil, numa Alviobeira que acontece, escreveu-se, gravou-se e produziu-se os Caminhos Cruzados III.
E ainda bem que o fizemos.
No dia 27 de Abril,  sentados no salão do Centro Recreativo e Cultural de Alviobeira que encheu para ver um filme, coisa que ultimamente não acontece nas salas de cinema, todos nós sentimos que valeu a pena.
Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
E a “alma” deste Rancho é do tamanho do coração de todos aqueles que dele fazem parte, e de todos aqueles que n’ele acreditem!

Alviobeira Acontece!

 

FESTIVAL DE FOLCLORE

16 abril 2013



ALVIOBEIRA ACONTECE!