


A persistência realiza o impossível.
O mercado à Moda antiga começou há muitos dias para os componentes do Rancho de Alviobeira.
Tantos foram os pormenores pensados com antecedência para que o mercado fosse um sucesso.
O sábado começou bem cedo com a preparação dos bolos, do pão, das brendeiras com petingas, do arroz doce, das pataniscas, das petingas…
Ao final da tarde a garagem da Cidália, o nosso “armazém” de serviço, começou a encher-se devido à generosidade de tantos. Os cheiros ainda mais intensos devido à humidade, começavam a encher o espaço e a criar no íntimo de cada um de nós, o desejo de que o dia do mercado chegasse o mais rápido possível.
E cada um foi chegando ao armazém com qualquer coisa para o mercado, cebolas, batatas, couves, marmelos, limões, flores, nozes, amêndoas, castanhas, pão, broas, brendeiras, ervas e chás da Ti Júlia…
Nós lá íamos dividindo os produtos, colocando-os nos cestos de verga e nas canastras e fazendo os preços…
Na rua, os homens tratavam dos currais para os animais.
Se a véspera do mercado por um lado é um dia longo, agitado, de grande stress, por outro proporciona momentos únicos de convívio e animação.
No domingo o despertador tocou bem cedo, muito era o trabalho a fazer.
A noite tinha sido chuvosa, mas a esperança de um dia com um céu nublado com algumas abertas era muita.
Colocámos as tasquinhas e os produtos para venda na rua.
Os animais: burros, porcos, galos, galinhas, vitelos, cabritos, ovelhas, cavalos, começaram a chegar.
E aos poucos a rua do Comércio ganhou uma nova vida e um novo colorido.
Pelas 9H tudo estava pronto para começar a venda, mas a chuva parecia ainda estar mais ansiosa pelo nosso mercado e marcou presença desde a abertura até ao final.
Mas o mercado fez-se mesmo debaixo de chuva que em certas alturas era de tal forma intensa que nos obrigava a proteger tudo e a procurar o abrigo mais perto. Mas quando a chuva abria tréguas, o mercado ganhava novamente vida. Aquecia-se os pés e a roupa na fogueira que estava pensada para fritar os velhoses mas que acabou por ter outra utilidade, bebia-se um café da “chicolateira”, e apregoava-se os produtos, cada um tentando criar o pregão mais divertido e apelativo… e a venda continuava…
À volta da fogueira ouvia-se histórias contadas pela comadre Luísa e brincava-se com o fumo, já que antigamente se costumava dizer que o fumo perseguia as mais formosas.
Á hora do almoço juntámo-nos debaixo do telheiro do Zé da Loja e da Cidália, e partilhámos os almoços. Assamos a carne trazida pelo Sr. José Manel e os colhões de porco que o António Freitas tinha comprado, as migas, arroz, galinha, e tantas outras coisas trazidas pelos componentes, e comemos, bebemos, conversámos e brincámos. São estes momentos que fazem de nós aquilo que somos.
Quando há coisas que não conseguimos controlar, o único remédio é aproveitar o momento e retirar dele o melhor que podemos. E o melhor é sempre o convívio, a alegria, a generosidade de tantos que mesmo a chover quiseram marcar presença no nosso mercado.
No final do dia, já com as coisas guardadas na garagem, que mais parecia estar pronta para outro mercado, tal era a confusão, com os dedos dos pés e das mãos enrugados, com o corpo cansado e regelado, o trajo a pesar uma tonelada, ouvia-se as vozes animadas desta gente que tanto admiro, que não baixa os braços perante os contratempos, que ri quando muitas vez mais apetece chorar, que não tem medo de nada, que tenta transformar as catástrofes em momentos de aprendizagem e crescimento… esta gente que às vezes zanga-se, grita e ralha, mas que se ama e respeita, como uma família.
Uma família que não se fecha em si própria mas sempre aberta a novos membros, a novas ideias, a novos saberes.
Os agradecimentos, esses são muitos, porque muitas são as pessoas que nos ajudam e fazem acreditar que vale a pena continuar.
Embora os melhores agradecimentos sejam aqueles que vão para além das palavras e traduzem-se em gestos, deixamos aqui o nosso muito obrigado aos componentes pela persistência e loucura, aos donos dos animais pela boa vontade, aos visitantes pela generosidade, aos comunicadores e reportes de imagem pela divulgação, aos amigos pela dedicação.
O que não nos mata, torna-nos mais fortes, e aqui estamos nós mais fortes, mais unidos, com mais força para os próximos mercados e projectos que aí vêm.
Para acabar o ano, lá para o primeiro ou segundo fim-de-semana de Novembro, dependendo da cozedura do vinho, haveremos de aquecer a alma e o coração com o “nosso” vinho nas adegas mais tradicionais da aldeia na Ronda das Adegas a nossa última atividade de 2014, ou não, já que este Rancho não pára e Alviobeira Acontece
Mercado à moda Antiga - foi assim...
29 outubro 2014Publicada por Rancho F. E. Alviobeira 0 comentários
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Cheiros e Sabores
30 setembro 2014





Agir, eis a inteligência verdadeira.
Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for.
O êxito está em ter êxito, e não em ter condições do êxito.
Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizeram ali?
Fernando Pessoa
Os diversos lugares da antiga freguesia de Alviobeira (hoje anexada ao Casais dando lugar à União de freguesias Casais Alviobeira) e o Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira em parceria com o CPP, uniram-se mais uma vez para realizar a 8ª Mostra de Cheiros e Sabores e Encontro de Folclore Infantil no adro da Igreja de Alviobeira.
Se a Mostra de Cheiros e Sabores continua a realizar-se ano após ano, deve-se ao empenho de todos os lugares (Ceras, Chão das Eiras, Freixo, Manobra, Portela de Nexêbra e Alviobeira) que não poupam esforços para rechear a sua tasquinha com os mais variados pitéus, capazes de fazer crescer água na boca. Este ano não foi excepção e mais uma vez a oferta foi grande e variada.
A “nossa” agua pé fez sucesso, a contar pelos vários litros vendidos. Falta agora esperar pelo “nosso” vinho que esperamos estar pronto lá para Novembro quando fizermos a Ronda das Adegas, prevista para o dia 2 de Novembro.
Embora o sol tenha raiado logo cedo, fazendo prever um dia agradável e propicio ao convívio saudável entre a comunidade, que continua a ser o grande objetivo desta festa, por volta das 17 H, a chuva apareceu e todos os abrigos foram poucos para as muitas pessoas que ali se encontravam. Depois de uma hora de chuva intensa e continuada, S. Pedro abriu tréguas e ainda deixou atuar os mais pequenos.
Por volta das 19H subiu ao palco o Grupo Infantil Danças e Cantares da Chamusca e o Rancho Infantil de Alviobeira que tentaram animar a festa com as suas danças e cantares, embora as condições já não fossem as melhores.
A tarde foi animada pelos quadros etnográficos desta vez dedicados ao ciclo da vinha e do vinho, promovidos pelo RFEA. A adesão foi grande e mais uma vez agradecemos todo o carinho e todas as palavras de incentivo. Foi por brincadeira que iniciamos o ano passado os quadros etnográficos –estátuas vivas, e que temos vindo a treinar e a melhorar. Mas como normalmente as nossas brincadeiras torna-se em casos sérios, enquanto ficámos à espera no que isto possa dar, vamos fazendo…. ainda temos muito que aprender, mas o caminho faz-se caminhando.
O adro foi preparado ao pormenor, quase que parecia que as cepas tinham nascido ali mesmo e criou-se um ambiente engraçado, capaz de fazer recordar a muitos momentos passados e a outros ensinar como se processa o ciclo do vinho.
Passado Os cheiros e Sabores, já estamos em preparação para os dois mercados que aí vêm.
Dia 5 de Outubro em Tomar e dia 12 em Alviobeira, na Rua do Comércio.
Fotos Isabel e Teresa Freitas, Arnaldo Lopes e José Júlio Ribeiro
As fotos dos quadros etnográficos estão belas, mas aguardamos mais fotos das tasquinhas que estavam também muito bonitas e recheadas.
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MOSTRA CHEIROS E SABORES
19 setembro 2014Publicada por Rancho F. E. Alviobeira 0 comentários
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INTIMIDADES
07 agosto 2014Publicada por Rancho F. E. Alviobeira 0 comentários
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Arraial de S. Pedro
03 julho 2014






Já no final do arraial, depois de tudo arrumado, ou quase, fazia-se o balanço da festa e todos eram unânimes em considerar que não é preciso muito para passar uma tarde em convívio saudável e muita animação.
A missa foi animada pelos cânticos antigos, e a procissão foi simples mais bonita. O andor de S. Pedro enfeitado com sardinheiras, as fogaças ornamentadas e transportadas pelas raparigas e mulheres do Rancho, as bandeiras, conferiram à procissão uma beleza singela. No chão a verdura e as pétalas de rosa.
No final da procissão, as tasquinhas, onde se podia encontrar doces, refresco de limão e café, fruta da época, petingos, toucinhos, queijo e chouriço, foram apreciadas por todos.
As fogaças foram vendidas logo no final da procissão e nem foi preciso leiloa-las. Os jogos tradicionais animaram a tarde, chinquilho, corrida de cântaros, jogo da corda e do galo.
O vinho era bom, ali mesmo a sair da pipa, junto à carroça onde se encontrava o melão para venda.
Não podia faltar o bailarico, para animar a festa e dançou-se e cantou-se.
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Cirio a Dornes - 9 de Junho de 2014
11 junho 2014Foi mais um círio a Dornes. Todos os anos, desde há 151 anos que as gentes de Alviobeira vão em peregrinação a Dornes na segunda-feira do Espírito Santo. Este ano o Sr. Júlio Leitão tinha feito a promessa de levar a bandeira, mas logo que contactado pelo Rancho, no sentido de fazer-se novamente a recriação da Peregrinação, aceitou sem grandes complicações, com uma simplicidade e generosidade que lhe é própria e já tão difícil de encontrar. Contactámos os nossos amigos e estes trouxeram outros amigos. Só assim se consegue fazer alguma coisa, cativando e deixando-se cativar. Sem interesses, apenas com a certeza que o convívio e a partilha dos momentos, bons e menos bons, são suficientes para encher o coração e tornar-nos “maiores”! São muitos os agradecimentos, porque muitas foram as ajudas e a união de esforços para que tudo corresse pelo melhor. Ficam os agradecimentos que não têm escala de importância, porque tudo o que é feito com e por amor, não é possível de ser medido nem quantificado. Um obrigado ao Sr. Vítor Rodrigues, Sr. José Manel, Sr. Miguel Pedrosa, Major Escudeiro e todos os restantes cavaleiros que se associaram a nós. Sem a vossa presença e generosidade, não teria sido possível a Recriação do Círio. Um obrigado a todos que tiraram da garagem os seus carros antigos, tornando o cortejo ainda mais bonito, em especial ao Sr. Joaquim Gonçalves que transportou algumas das nossas meninas. Um obrigado aos nossos patrocinadores: Rações do Zêzere, Sicarze e Herdade dos Templários. Tornaram os nossos lanches e os lanches dos nossos companheiros de quatro patas, melhores. Um obrigado ao António Freitas, José Júlio Ribeiro e Isabel Freitas pelas belíssimas imagens. Que bom é sentir que este Rancho não se fecha em si mesmo, mas está aberto a todos quantos desinteressadamente se associam a ele e trabalham para o sucesso e crescimento deste sonho iniciado à vinte seis anos atrás, é pena que nem todos saibam “vestir” os nossos projetos-sonhos. Um obrigado ao Destacamento da GNR que tudo fez para que o percurso fosse realizado dentro da normalidade. Um obrigado à Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, pela repeção mesmo à frente da Câmara. São estes pequenos gestos que nos fazem acreditar que o nosso trabalho é importante e válido. Um obrigado à União de freguesias Casais e Alviobeira pela disponibilização das carrinhas e pelo apoio publicitário. Um obrigado aos componentes do Rancho. Ser peregrino não é fácil. Um dia longo, cansativo mas cheio de emoções, daquelas que enchem o coração e o fazem bater mais forte. Obrigado aos “nossos” destemidos rapazes que não tiveram medo do percurso e foram a pedalar até Dornes. Obrigado ao Rancho da Alegria do Alqueidão de Santo Amaro, que se associou a nós, tornando-se nossos companheiros de peregrinação. Um bem aja ao Padre Sérgio, que embora constipado, fez questão de nos acompanhar de charrete (a sua presença foi importante para nós) ao Padre Pinto por ter presidido à eucaristia e ao Padre Mário por fazer questão em estar presente em Dornes neste dia. Por fim, mas não menos importante, um obrigado às gentes de Alviobeira que mais um ano se puseram a caminho rumo ao Santuário de Nossa Senhora do Pranto e a todos que a nós se quiseram associar. Ainda muito há a fazer pela Recriação do Círio a Dornes. Fica a saudade e a certeza que dentro de alguns anos havemos de fazer novamente a Recriação. Para mim, e penso que para muitos, mais que um passeio, um piquenique, um almoço com os amigos, o Círio a Dornes é a fé de um povo que caminha, reza, partilha, dança e canta junto. Muito ainda temos que aprender com os nossos antepassadoS, no que diz respeito à solidariedade e à união. Como é importante o sentido de família numa comunidade… é para isso que este Rancho trabalha. Alguns já o compreenderam e partilham-no, outros continuam a preferir viver orgulhosamente fechados nas suas conchas, preocupados com outras coisas. …Como compreendo bem Fernão Capelo Gaivota… como é difícil ousar voar mais alto… Pergunto, como é possível não olhar para o alto, numa terra onde o céu toca as águas do Zêzere, uma terra envolvida pela beleza única de uma paisagem verde, que transmite uma paz, e uma serenidade difícil de encontrar… que acalma a alma tornando-a mais grandiosa!? Dornes convida-nos a olhar para o alto, a aprender com simplicidade e a entrega de Nossa Senhora e a acertar o passo neste caminho de fé, que só tem sentido se partilhado e feito junto. Para terminar uma partilha… no nosso percurso até Dornes, ali mesmo na saída da nossa freguesia, uma pomba branca, linda, vinda de não sei de onde, voou ali mesmo à nossa frente, desaparecendo no céu. Para quem viu e acredita na força do Espírito Santo, sentiu-se animado e abençoado. RFEA
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