VIA SACRA

01 abril 2015

O silêncio de quem sabe quem é, e sabe o que quer, desconforta quem não é senão uma aparência do que gostava de ser... Quantas vezes tive a coragem de assumir a verdade do que sou? O que quero eu de mim? ...Estamos condenados a fazer o nosso caminho. Cada um o seu. O que julgamos, o que dizemos, o que fazemos, estabelece a nossa identidade. Cria a nossa essência. Define-nos. Esse é um dos nossos maiores talentos: a liberdade de nos escolhermos... ...Somos o amor que formos capazes de criar... e viver. Só é nosso o que tivermos sido capazes de dar. Tudo o resto, perde-se. ... cada um de nós é um mistério que se estende e abraça o infinito... ... porque a mensagem da via-sacra está presente na vida de todas as pessoas, independentemente de serem ou não serem crentes, não só pelo sofrimento, mas pela esperança.

SERRAR DA VELHA

SERRAR DA VELHA Fotos José Júlio Ribeiro Quando o Rancho de Alviobeira decidiu fazer a recriação do Serrar da Velha e já lá vai alguns anos, fê-lo à noite e na rua, assim como era antigamente. Mas as nossas aldeias já não são tão silenciosos, escuras e místicas como noutros tempos, e os textos entoados do pinhal nem sempre era percetíveis, mesmo usando os funis de antigamente. O horário, o frio da noite, os ruídos dos carros, dos cafés e outros foram afastando aos poucos as pessoas desta recriação. O Rancho viu-se assim obrigado a repensar a forma de manter viva a tradição e despertar nas pessoas a vontade de assistir ao Serrar da Velha, acabando por optar pela criação de um espetáculo, apresentado num espaço fechado e onde são criados os diversos cenários nos quais se desenrola todo o Serrar da Velha. Este ano, o “espetáculo” começou com um casal de idosos, representado pelo Carlos e pela Andreia Pereira, que iam contando as suas histórias a dois jovens que os visitavam. A história daquele dia era sobre o Serrar da Velha e o António, representado pelo Daniel estava tão entusiasmado que acabou por arrastar a sua amiga Leonor, interpretada pela Bia, para ouvir a história. (dois jovens que começaram agora as suas "andanças" neste Rancho mas que se portaram como verdadeiros profissionais). À medida que os velhotes recordavam as histórias antigas, estas iam ganhando vida no palco. Recorrendo assim a este "casal de idosos" foi possível transmitir toda a história do serrar da velha ao público presente, pois ainda há muitas pessoas, principalmente as mais jovens que nunca ouviram falar de tal tradição. A velha foi novamente a “Ti Maria”, que segundo o casal de idosos, era tão velha, tão velha, que já lhe tinham perdido a conta aos anos que fazia, até ela. A Ti Maria e o Ti Manel, animaram a sala com as suas resmunguices e quando apareceram em roupa interior foi uma gargalhada geral. O testamento da velha esse foi divertido, mas pouco ofensivo, ao contrário do que acontecia antigamente, porque atualmente o objetivo é unicamente manter viva a tradição, fazer rir e brincar. O CRCA de Alviobeira encheu, o que muito nos agradou, mostrando o carinho que as pessoas tem por nós e pelo nosso trabalho. Assim vale a pena continuar a trabalhar. Aqui ficam algumas fotos tirada pelo nosso amigo José Júlio Ribeiro, ao qual mais uma vez agradecemos

SERRAR DA VELHA - 21 DE MARÇO

27 fevereiro 2015

PULSAÇÕES

19 fevereiro 2015

Depois do espectáculo, ainda com as emoções à flor da pele, como falar dele!? Se durante os ensaios o “pulsações” adormeceu e acordou connosco, agora passados alguns dias do espectáculo no Cine Teatro, ele continua a “pulsar” dentro de nós. Sim, era isso que pretendíamos com o espectáculo “Pulsações”… um novo pulsar… que não nos deixa-se indiferentes, mas que nos questiona-se, e que nos levasse a olhar para dentro sem medos, preconceitos ou qualquer outra coisa que impeça de ver a grandiosidade do folclore… Penso que conseguimos… Se ainda há quem nos fale em explicar o “Pulsações”, como isso fosse possível, outros (aqueles que o sentiram- cada um à sua maneira) ficaram rendidos a este novo pulsar. Com uma linguagem diferente do habitual, tentámos com este espectáculo abrir mentes, e dar a conhecer o trabalho do RFEA, já conhecido por alguns, mas ainda desconhecido da maioria das pessoas. Como se consegue? Foi o que muitos perguntaram. Nós desvendamos o mistério, que se resume a três palavras: trabalho, entrega e loucura. Não importa se é uma atuação numa festa de aldeia, um mercado à moda antiga, a matança do porco, uma vindima, ou um espectáculo no Cine Teatro Paraíso, o que importa é a seriedade com que fazemos as coisas, dando o melhor de nós em todos os nossos projectos. Há nisto uma grande generosidade… muita entrega e um pulsar que nos leva a querer fazer mais e melhor, que nos impede de parar… e que faz de Alviobeira… uma Alviobeira Acontece.

Plano de Atividade 2015

20 janeiro 2015

Cantar Reis - Programa Agora Nós

07 janeiro 2015















UMA FORMA DIFERENTE DE COMEÇAR O DIA DE REIS

Depois de um fim-de-semana a cantar os reis para as gentes da nossa terra, que tão bem conhecemos e que ano após ano nos abrem as portas de suas casas, com o mesmo entusiasmo com que o fizerem no primeiro ano, eis que o dia de Reis de 2015, ainda nos reservava uma supressa, a participação no programa Agora Nós na RTP1. A abrir o programa, o Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira, representado por 15 dos seus cerca de 50 elementos, cantou os Reis, como sempre o fez, mas agora para uma plateia muito maior. Num ambiente de brincadeira, simpatia, e muito profissionalismo de uma equipa que nos acolheu de tal forma que desde o primeiro minuto nos sentimos em casa, o “nosso” cantar dos Reis entrou porta dentro de tantos portugueses, não perdendo a sua simplicidade e aquilo que sempre foi ao longo dos 26 anos de existência deste Rancho. Se durante estes anos nos temos dedicado à recolha e preservação dos usos e costumes dos nossos antepassados e a reviver tradições que se perderiam, não fosse o trabalho sério e continuado deste Rancho, a verdade é que nestes últimos dois anos, temos trabalhado ainda mais afincadamente para dignificar a nossa terra e as nossas gentes e a fazer de Alviobeira uma terra onde “acontece” todo o ano. O ano de 2014, foi um ano difícil para muitos portugueses, continuou-se a falar e a viver uma crise que parece que veio para ficar, apesar do optimismo quanto ao crescimento da economia. Mas contrariando este cenário, o Rancho de Alviobeira tem desde 2013, elaborado e efectivado um plano de actividades intenso e culturalmente falando muito interessante e diversificado. Como dizia Albert Einstein “ em momentos de crise, só a imaginação é mais importante que os conhecimentos”, e essa sobeja neste grupo que se dedica e entrega para levar o nome de Alviobeira cada vez mais longe. O ano de 2014 foi um ano onde não faltou o Cantar dos Reis, Entrudo, Serrar da velha, Peregrinação a Dornes, Romaria a S. Pedro, Ronda das Adegas, Mercado à moda antiga, Cheiros e sabores, Estátuas vivas, espectáculos como Pulsações e Intimidades, Ciclo do Vinho (no qual se desenvolveu e documentou todas as fases, até ao produto final), Presépio ao vivo, actuações e Festivais. Atendendo às actividades realizadas, e modéstia à parte, o programa Agora Nós poderia ter sido dedicado ao R.F.E.A, mas ficamos contentes e agradecidos por abrir um programa televisivo, onde todos os segundos são importantes e valem ouro. E se muitas das nossas actividades podiam ali ser apresentadas e divulgadas, ficamos contentes que o Cantar dos Reis tenha tido esse privilégio, uma actividade desenvolvida interruptamente, à 26 anos por este grupo, e pela qual todos temos um carinho especial. Em nenhum momento houve nervosismo, apenas entusiasmo, entrega e sorrisos, porque este grupo é assim. A simpatia da Tânia Ribas de Oliveira e do João Pedro Vasconcelos é gigante e foi também muito importante para o nosso à vontade em palco. Um agradecimento especial ao António Freitas pelo trabalho incansável na divulgação do nosso trabalho, um obrigado ao Luís Freitas pelo acompanhamento que nos fez neste curta estadia pelos estúdios da RTP e que nos fez sentir pessoas “especiais”. Um obrigado à União de Freguesias Casais e Alviobeira, na pessoa do seu presidente João Alves, que prontamente se disponibilizou a ajudar-nos mostrando que acredita no trabalho deste Rancho para o crescimento cultural desta freguesia. Aos componentes que puderam estar presentes, um obrigado pela disponibilidade demonstrada, e aos restantes a certeza de que novas aventuras televisivas nos estão reservadas.

Presépio ao Vivo

26 dezembro 2014




















Se em tempos passados, apesar das dificuldades económicas das famílias, o Natal era um tempo de presença, de encontro, de comunidade, a verdade é que esse espírito tem-se vindo a perder ao longo dos tempos e cada vez mais temos um Natal consumista, despido de sentimentos, em que a falta de amor, de respeito, de paz interior se tenta disfarçar com luzes, música, confusão, presentes e brilhos.
Como gosto bem mais daquele tempo em que as pessoas se encontravam à frente das casas, quando a rua era o lugar de encontro com os vizinhos, de brincadeiras, de cantigas e conversas, e não havia frio, nem medo de constipações, pois essas matavam-se com um cálice de aguardente, nem tristezas, nem depressões. Hoje em dia, as famílias isolam-se em casa, cada um de volta do seu computador, e quando saem em vez de percorrer as ruas da aldeias, fazer uma caminhada pelos pinhais e fazendas, preferem os centros comerciais, os engarrafamentos, as filas, um corre-corre que deixa as pessoas mal-humoradas, irritadas e vazias.
Durante a tarde de ontem algumas pessoas questionaram-nos sobre o que nos movia, o que nos levava a realizar tantas actividades, a ter tanto trabalho?! Falámos do sentido de comunidade que queríamos preservar em Alviobeira, da importância de uma comunidade que se reúne, e que partilha momentos. Hoje acrescentaria: como parar a criatividade? Abafar o fervilhar de ideias? O prazer do convívio? A amizade que reclama presença!? Este ano, pela primeira vez decidimos fazer um presépio ao vivo, no largo do coval, e ainda bem que o fizemos.
O trabalho, esse foi muito, mas como é frase corrente neste Rancho, nada se consegue sem trabalho, e já nos habituamos a esta actividade intensa que nos proporciona a oportunidade de crescer como família, como grupo e como comunidade.
Costuma-se dizer por cá, que quem mais dá mais recebe, e nós recebemos neste Presépio Vivo muitas demonstrações de afecto e carinho por nós e pelo nosso trabalho.
E se demos muito de nós, a verdade é que recebemos a triplicar. Desde a presença de tantos que quiseram estar presentes, à cedência dos animais, que fizeram as delícias dos miúdos e graúdos, à generosidade das pessoas, que monetariamente contribuíram para o evento, ao aparecimento do “Menino Jesus”, trazido envolto em cobertores pelos seus pais e que nos deixou com lágrimas nos olhos. Muitos foram os quadros que nos fizeram recuar no tempo e trazer à memória outros Natais, mas o momento mais bonito, foi quando a Marisa trouxe o Afonso e o colocou nos meus braços, apenas dizendo: “querem um menino Jesus?” Foi mágico, mais mágico quando o coloquei nos braços da Andreia e do Aurélio, e aquele curral improvisado, simples e humilde como eram os nossos antepassados foi iluminado pelos raios de sol que ficaram ainda mais quentes e radiosos. Sentimos que naquele momento o nosso presépio tinha sido abençoado pelo Altíssimo. São estes pequenos, grandes gestos, que tornam o Natal um tempo especial, gestos de entrega, de generosidades, capazes de transformar o nosso coração e tornar-nos pessoas melhores.
Ficou a certeza que os amigos não são aqueles que nos dão coisas, mas os que se dão a si próprios Às 15H começamos as estátuas vivas e que durou cerca de uma hora.
Estavam representados os seguintes quadros: o presépio, com um casal, aguardando o nascimento do seu filho, os animais, ovelhas, vaca, burro; as pessoas mais abastadas da aldeia, que se puseram a caminho rumo ao presépio, levando nos seus cabazes pão, vinho e azeite; um casal de pastores, que ali perto pastavam as suas cabras e cabritos; a taberna, ponto de encontro dos homens; a casa com a lareira pronta para fazer os velhoses e alguns ofícios da aldeia, o sapateiro, a tecedeira, o carpinteiro, e as bordadeiras.
Depois foi tempo de convívio e de aquecer o corpo já que a alma à muito estava aquecida. Tirou-se o enchido do fumeiro, e foi assado ali mesmo na fogueira que juntamente com o toucinho assado, pão caseiro, vinho, café, chá, fatias douradas, velhoses, fizeram as delícias dos visitantes. Quem passou por Alviobeira, não deu o seu tempo mal empregue, foi uma tarde diferente, a recordar Natais de outros tempos.
A nós resta-nos desejar um feliz e santo Natal. Em Janeiro, logo no dia 2 de Janeiro, andaremos porta a porta, a cantar os Santos Reis, numa Alviobeira que Acontece todo o ano