"PULSAÇÕES" FOI AO ENTROCAMENTO

29 julho 2015









 
FOTOS: ANTÓNIO FREITAS

Foi numa noite fria e um pouco ventosa que na passada sexta-feira, rumámos ao Entrocamento, mais propriamente à Praça Salgueiro Maia para apresentarmos, pela segunda vez, o “Pulsações”.
Apresentado pela primeira vez no cine teatro Paraíso em Tomar, a 13 de Fevereiro deste ano, este espetáculo que resulta de uma adaptação de um Primeiro Pulsações apresentado em Alviobeira, em Maio de 2014, continua a querer pulsar nos nossos corações e nos de quem nos vê.
Na apresentação do Pulsações pode ler-se “Pulsações é algo da natureza, essa pulsação que existe na natureza, nos animais, nas plantas é uma renovação, uma procura por uma linguagem de movimento, simplesmente.
Nada pode parar o sangue que corre nas veias e o que pulsa em corpos inquietos. Há sempre algo que escapa aos trajetos permitidos e ordenados; alguma maneira de inventar outros movimentos, outros percursos…
Essa procura/ descoberta do movimento faz com que o Pulsações seja um espetáculo que requer da nossa parte (componentes/atores) uma entrega total e uma preparação que conta com muitas horas de ensaios. Feito de pormenores, exigente nas emoções, nas expressões corporais e faciais, que têm que ser trabalhadas minuciosamente, este espectáculo “obriga” a várias repetições e ensaios para que no final tudo pareça simples, fácil, “limpo”.
Um corpo que se movimenta e conta uma história, que se entrega totalmente sem “(pre)conceitos”, que se vai (des)construindo para trazer à superfície a sua essência, aquela que por vezes está demasiado “camuflada”… é esta a proposta do Pulsações, que unindo canto, dança e interpretação, pretende (des)construir o folclore percorrendo uma trajetória cénica entre origem, memórias, movimento e criatividade…e que no final fique o silêncio, as memórias, o sentido verdadeiro.
Conciliando os ensaios do Pulsações com estudos, trabalho, atuações, e outros espetáculos que temos em cartaz, preparámos o Pulsações de forma a levá-lo ao Entrocamento, a verdade é que queríamos muito responder afirmativamente ao convite feito pela Câmara Municipal do Entrocamento, e nem a nossa agenda preenchida e o fato do palco ser ao ar livre nos impediu de levar o Pulsações à cidade Ferroviária.
Com as emoções à flor da pele, com o vento a bater nos nossos rostos, com algumas borboletas na barriga e com o coração a Pulsar, as danças, os movimentos, os sons foram enchendo a Praça Salgueiro Maia, perante uma plateia que tentava perceber do que se tratava aquele novo Pulsar.
Para quem não encontrou respostas, sugerimos que sintam a energia que vem da terra, e que se ouve no coração, que cria movimento, a descoberta do movimento… às vezes inquietante, por ser novo… às vezes rude, por ser genuíno, ás vezes exigente por ser verdadeiro… que nos leva a dar tudo… a ousar criar… sem medos, sem retoques… natural...
E depois desta descoberta, o olhar olhos nos olhos! O encontro natural… de quem não tem nada a esconder.
No final esse encontro traduziu-se pelo agradecimento, simbolizado num ramos de flores (onde havia girassóis… afinal ainda há coincidências) trazido pelas mãos do presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Dr. Jorge Manuel Alves de Faria, também ele homem de números mas capaz de interpretar estes Pulsações que ousa usar outras equações.

INTIMIDADES

22 julho 2015


O solar da quinta da Eira, em Ceras, foi o primeiro local onde apresentámos "Intimidades", um espetáculo que é na sua essência um momento de homenagem aos nossos trajos. Um trabalho que mistura a palavra, o som, a cor, a imagem, o movimento, o corpo. Ficámos encantados pela magia do solar, pela beleza da construção e por toda a história que aquele local nos parecia querer contar… - lugares mágicos que nos enchem a alma. Somos sem dúvida um pouco dos lugares que trazemos em nós e a partir daquele momento guardámos bem cá dentro, as emoções vividas naquele dia. As pedras do solar foram ganhando vida à medida que apresentámos os nossos trajos e quase que coraram quando revelámos as nossas roupas interiores. E houve uma fervilhar de emoções que ainda hoje sentimos quando falamos, ou passamos no solar, que depois do espetáculo voltou a adormecer, num silêncio profundo. Em 2014, quisemos repetir o Intimidades, escolhemos a "nossa" Alviobeira, mais propriamente a rua do Comércio para a sua apresentação e se a casa da eira, e o seu fabuloso cenário deu ao Intimidades uma melancolia e uma tranquilidade inexplicáveis, a Rua do Comércio trouxe ao Intimidades uma proximidade e outras vibrações, também elas únicas e mágicas. Em 2015, não poderíamos deixar o "Intimidades" esquecido, e porque não levá-lo novamente a um local onde as pedras contam histórias?! Depois de conhecer a adega e a eira nos Calvinos por altura da Ronda das Adegas, pareceu-nos ser aquele o lugar que procurávamos. São lugares que nos fazem bem à alma, pela sua história, simplicidade, beleza e silêncio. E se à tarde, durante os ensaios, o sol queimou os corpos, à noite, a brisa suave que se fazia sentir e o céu que parecia ter sido pintado por um artista, revitalizou-nos a alma. Ficámos perplexos ao saber que muitos não conheciam aquele espaço, a verdade é que passamos demasiado tempo fechados nas nossas casas, sem darmos conta das maravilhas que existem, bem ao nosso lado. Esperamos (RFEA) conseguir despertar nas pessoas o interesse pelo património rural, constituído ao mesmo tempo por elementos materiais e imateriais, de infinita riqueza e fazer com que as pessoas tenham orgulho no património existente no seu território. Este património, que urge preservar, funciona igualmente como motor de desenvolvimento do território em que se situa. Reconhecer o valor do passado, proteger e valorizar o património rural, torná-lo conhecido, acessível e interativo com as populações rurais é uma tarefa indispensável à manutenção dos equilíbrios ecológicos, à preservação da autoestima e do desenvolvimento económico, social e cultural. Esta é sem dúvida uma tarefa de todos nós. Voltando ao nosso espectáculo, o público começou a aparecer por volta das 21H e a eira começou a ganhar cor e vida. Ouviu-se histórias de outros tempos, contadas pela boca dos mais antigos, que fizeram questão em assistir ao Intimidades. E a população de Calvinos compareceu e tornou a noite e o Intimidades grandioso numa simples eira de aldeia. Antes do espetáculo começar, ainda houve tempo para passarem pela adega e provar os nossos licores. Cada espetáculo, tem a sua história, e esta escreveu-se com palavras de generosidade e aventura comunitária.
Que bom fazer parte desta Alviobeira que vai acontecendo por todo o lado.

Romaria de S. Pedro

02 julho 2015

FOTOS: José Júlio Ribeiro Uma Alviobeira que vai acontecendo por aí. Se o calor convidava a um fim-de-semana passado à beira da piscina ou no areal de qualquer praia, para este grupo as coisas foram bem diferentes. No sábado fizemos uma visita à bonita cidade de Viseu, para participar no Festival do Rancho de Caçador e no domingo realizámos mais uma Romaria a S. Pedro, nosso padroeiro. Chegámos à Alviobeira por volta das duas horas da manhã, com a certeza de que até o fim-de-semana terminar, muito havia por fazer. Dormimos um pouco para recuperar energias e mal o sol despertou, começou o frenesim para a preparação de mais uma romaria. Tendo consciência que é preciso trabalhar muito para fazer com que Alviobeira aconteça, os trabalhos iniciaram-se para que tudo estivesse pronto por volta das 15H, hora marcada para a chegada dos romeiros, ao adro da igreja. A colocação das barraquinhas, das mesas, as deslocações para trazer os burros, cavalos e carroças, a preparação dos petiscos e de todos os elementos necessários para a criação do ambiente de romaria, ocupou a nossa manhã que passou sem darmos por ela. Com alguns percalços pelo meio, que também servem para animar as coisas, com os amuos da burra Julieta e da égua “Bimba”, lá chegámos à Igreja para assistir à missa presidida pelo padre Sérgio. No final houve a procissão com as bandeiras, as fogaças, o andor de S. Pedro, os anjinhos, criando um ambiente de tranquilidade, permitindo olhar para dentro de nós e descobrirmo-nos a nós próprios. Uma procissão simples, intimista, sentida, a lembrar outros tempos, em que a simplicidade roçava a grandiosidade. E se antigamente o calor não afligia ninguém, pois as gentes do campo a ele estavam habituadas, hoje em dia somo sensíveis de mais, esquisitos de mais, e esse mesmo calor tanta vez por nós reclamado parece ter sido o motivo para muitos não terem ido à Romaria. Mas os mais corajosos, os mais companheiros, os que amam a sua terra, e admiram o trabalho deste grupo, que faz uma terra acontecer, mesmo numa tarde quente de Junho, esses… fizeram questão em marcar presença levando-nos a acreditar que ainda vale a pena trabalhar nesta aldeia. E a Romaria fez-se e houve mistura de sons, cores, cheiros. E o convívio saudável, aquele que só precisa do encontro, do toque, do olhar, foi simples, bonito e aconteceu. Pessoalmente adoro estas festas, que permitem às pessoas encontrarem-se, conversarem, comerem, dançarem…partilhando momentos e emoções, sem grandes artificies, sem brilhos artificiais… Um obrigado especial ao Sr. Manuel Azevedo, que não parou um minuto com a sua égua, a transportar as crianças, à dona da Julieta pelo empréstimo da Julieta ao proprietário do Restaurante Popular do Freixo e ao Sr. Horácio pela cedência das carroças. Não esquecendo, não fizesse ele parte da família, do José Júlio Ribeiro pela presença e pelas magníficas fotos… estamos a ficar mal habituados. E assim foi mais um fim-de-semana intenso… quente… único! Numa Alviobeira que “teima” em acontecer.

Arraial de S. João - Tomar

22 junho 2015














No sábado, dia 20 de Junho, com temperaturas a rondar os 40º graus, o RFEA, começou bem cedo a preparar o material a utilizar nos quadros etnográficos que foram apresentados mais tarde no Arraial de S. João. O calor era muito e com algum sacrifício lá fomos preparando as coisas para que os quadros etnográficos tivessem algum interesse para as pessoas que iriam passar pela Rua de S. João nesse dia. Gostamos sempre de preparar os quadros etnográficos à volta de um tema, desta vez o escolhido por se tratar de um Arraial popular e por ser o ano da Festa dos Tabuleiros, foi Festas e Romarias. Assim todos os quadros foram criados à volta dos vários elementos presentes na Festa: o pão (ciclo do pão, nomeadamente a sementeira do milho, a descamisada, o peneirar da farinha e o amassar do pão), o trigo (ceifa e crivagem), a confeção de flores de papel e das fogaças e tabuleiros, a confeção de mantas de trapos (também elas utilizadas nas romarias), a confeção de rodilhas, a chegada à Romaria, o transporte das fogaças, a merenda e o bailarico. Assim, por volta das 17h, a Rua de S. João começou a recuar no tempo, à medida que os cenários se foram criando. Pena que as pessoas não tivessem retirado os carros do estacionamento, apesar dos pedidos dos organizadores do arraial, o que nos obrigou a concentrar os quadros etnográficos em apenas metade da Rua. Com música ambiente, escolhida à volta do tema Festas e Romarias, e já com um ventinho agradável a correr pela rua, começámos a apresentação dos Quadros Etnográficos em Estátuas vivas. Se algumas pessoas já conheciam o nosso trabalho, outras foram surpreendidas por um ambiente diferente, que trazia à memória outros tempos e outras emoções. É bom ouvir o comentário das pessoas e receber os parabéns de quem sabe observar e ver o muito trabalho que ali está, e que reconhece e sabe apreciar os pormenores. Os turistas eram muitos, interessados e maravilhados pelo nosso trabalho, os elogios guardamo-los bem cá dentro do nosso coração, e se o nosso trabalho os emocionou, como nos disseram, as suas palavras encheram o nosso coração e a nossa alma. No fim das estátuas, altura para o bailarico, a Rua de S. João com um verdadeiro ambiente de Arraial, ganhou ainda mais animação e todos dançaram, cantaram e brincaram. No fim do bailarico, a pedido de algumas pessoas, voltámos a fazer estátuas e já anoitecer, falámos entre nós, que os quadros etnográficos ganhariam ainda mais beleza à noite, mas para isso necessitaríamos de iluminação de todos os quadros, exigindo outra logística. Um obrigado especial a Ana Bela Santos, que desde que viu o ano passado os quadros etnográficos no Poço Redondo, não descansou até que não nos trouxe a Tomar. Foi no Arraial de S. João, nada melhor. E assim, ainda com o coração a queimar, não do calor, mas das emoções vividas, regressámos à nossa Alviobeira. Foi o Alviobeira Acontece... desta vez em Tomar

Romaria a S. Pedro

09 junho 2015

1º PASSEIO DE BICICLETAS ANTIGAS

01 junho 2015

FOTOS: José Júlio Ribeiro. Se por um lado a aderência das pessoas ao primeiro passeio de bicicletas antigas não foi muita, ou por falta de bicicleta ou por falta de pernas, pois pedalar uma “coisa” daquelas não é pêra doce, por outro os componentes do Rancho marcaram presença e o passeio não deixou de fazer-se e foi muito divertido. Quando fizemos pela primeira vez, em 2013, a recriação do Círio a Dornes, de forma a transportar alguns componentes, começámos por procurar e recuperar algumas bicicletas antigas. Depressa nos apaixonámos por elas e começámos a levá-las para todo o lado passando a ser a “menina dos nossos olhos”. Durante muitos anos elas fizeram parte da vida das gentes de Alviobeira, eram utilizadas nas mais diversas situações, para ir para o trabalho, para as fazendas, para os mercados, festas e romarias. À medida que foram surgindo outros meios de transporte e bicicletas mais modernas elas foram colocadas de parte e arrumadas nos sótãos, onde começaram a apodrecer e a ganhar teias de aranha. Ao abandono, rapidamente foram esquecidas, no entanto pela sua história e importância o RFEA achou por bem apostar na recuperação destas “meninas” e fazer um passeio de bicicletas antigas incentivando as pessoas a recuperarem as suas velhas bicicletas. O passeio teve início em Alviobeira, na antiga escola primária, onde foi servido o pequeno-almoço, e passou pelos seguintes locais: Freixo, Calvinos, Catrinos, Chão das Eiras, Cêras, Pego, Touco, chegando à Runfeira por volta das 14H para o almoço. Depois de um início um pouco atribulado e com alguns percalços, tais como perda de pedais, pneus rebentados, travões não muito operacionais, lá arrancámos em direcção aos Calvinos. Á chegada aos Calvinos uma pequena paragem para beber um pouco de refresco de limão feito pela Ti Júlia e falar com alguns habitantes que ali nos esperavam. Próxima paragem foi para rever o lagar e a eira que já havíamos visitado por altura da Ronda das Adegas. Fomos recebidos com um chouriço assado na brasa e uma pinga para renovar as energias. À saída do lagar o encontro com um peregrino dos Caminhos de Santiago que nos acompanhou até aos Catrinos, a próxima paragem e com o qual partilhamos a nossa merenda da manhã. Quando pensámos no Passeio de bicicletas, quisemos desde o primeiro momento ir aos Catrinos. Se inicialmente ali pensámos fazer a nossa refeição principal, por dificuldades de logística optámos por fazer apenas a bucha da manhã e aproveitar para refrescar. Um obrigado especial à União de Freguesias Casais, Alviobeira, na pessoa do presidente João Alves, pela limpeza do terreno nos Catrinos, permitindo-nos usufruir daquele espaço tão bonito e com tantas potencialidades. Seguiu-se o Chão da Eiras, o Alqueidão e sempre com a ribeira ali ao nosso lado, chegámos a Cêras. Passámos junto à Casa da Eira que nos trouxe à memória recordações do nosso espectáculo Intimidades e da magia daquela casa e daquela noite. Ao passarmos no Escoural, era impensável não parar no “nosso” refúgio, e embora a paragem fosse rápida deu para recordar e matar saudades dos momentos de convívio ali passados. Ao longo da vala, chegámos ao pego e não resistirmos em mergulhar naquela água gelada mas revigoradora. Ficámos como novos, ou quase! Tivemos ainda tempo para beber um chá refrescante feito pela Ti Júlia que estava ali mesmo junto ao Pego. Utilizámos para isso a “cabana” da Fernanda Ribeira que gentilmente nos cedeu o espaço. Com as energias renovadas “empurrámos” as bicicletas pela encosta rumo ao Touco. Não foi fácil, se por lado queríamos empurrar a bicicleta por outro escorregávamos por todo o lado, e só tirando os sapatos e as meias conseguimos sair dali. Pequena paragem para comer umas cerejas no touco, sentados na bicicleta a comer fruta da árvore, mas há alguma coisa melhor!? Depois foi só pedalar até à Quinta da Runfeira, esticar as mantas e descansar. Se as subidas foram difíceis, as descidas não ficaram atrás, principalmente para quem teve como companheira uma bicicleta sem travões. Mas tudo foi ultrapassado com boa disposição, gritos e gargalhadas. O almoço já preparado esperava por nós, mas alguns mal se deitaram nas mantas, pregaram no sono, maior era o cansaço que a fome. Uma sopa de legumes e rancho foi o nosso almoço. Fruta da época, pinga, limonada, licores, bolos caseiro completaram a refeição. E ali debaixo da pinheiras e sobreiros, convivemos, conversámos, namorámos e dormimos a sesta. Por volta das 16H30 fomos até ao local de partida e na escola primária, onde muitos de nós andámos e brincámos, fizemos jogos e brincadeiras de outros tempos. Juntaram-se a nós a população e brincámos e merendámos. No fim do dia o cansaço era muito mas aquele que nos enche a alma e o coração. Algumas nódoas negras, arranhadelas, dores nas pernas e no traseiro, mas nada que não passe depois de uma boa noite de sono. Se por um lado o cansaço era muito, a felicidade era ainda maior, quase que não cabia dentro do peito. Se durante o percurso alguns iam dizendo que há malucos com mais juízo que nós, a verdade é que essa “falta” de juízo é necessária e recomenda-se. Concordo contigo Andreia V. quando dizias: “se tivesse vivido naquele tempo, era muito mais feliz!”. Sem dúvida… são dias como estes que nos tornam pessoas melhores, mais “leves” e felizes… Um obrigado especial ao nosso fotografo de serviço (José Júlio Ribeiro), como é bom ter amigos.

1º Passeio de Bicicletas Antigas

22 maio 2015