3º MERCADO À MODA ANTIGA

13 outubro 2015

FOTOS: José Júlio Ribeiro

Pelo segundo ano consecutivo a chuva marcou presença no Mercado à Moda Antiga, mas este realizou-se, as pessoas marcaram presença e os produtos venderam-se. A verdade é que já vamos na terceira edição do Mercado, sendo que os últimos dois foram realizados debaixo de chuvas e ventos fortes. Diz a sabedoria popular que não há duas sem três, nós ficamos à espera que sejamos a exceção à regra e que para o ano o sol nos brinde com a sua presença, possibilitando a realização do mercado como planeado e com toda a grandiosidade que ele merece. Quando há coisas que não controlamos, nem compreendemos, o melhor é não perder muito tempo na busca de explicações, e deitar mãos à obra. Foi isso que fizemos, com a convicção que é no meio das dificuldade que se encontram as oportunidades. E este mercado foi de fato uma oportunidade única de reviver mais uma vez as tradições dos nossos antepassados, de encontro e de convívio, de dinamização da nossa terra e um espaço de aprendizagem e de busca de conhecimentos. Convictos de que tudo o que não nos destrói, torna-nos mais fortes e equipados com “couraças” resistentes e destemidas lá enfrentámos o ex-furacão Joaquim, que mesmo depois de deixar de ser furacão não abdicou de uma presença no nosso mercado, levando-nos a desconfiar que este “Joaquim” gosta do que é bom. E se uma depressão tornou o tempo instável, a nós deu-nos força e coragem para enfrentar mais este desafio. Desde há algum tempo que iniciámos os preparativos para o mercado, era nossa intenção fazer ainda mais e melhor que as edições anteriores. Fizemos reuniões, falámos com artesãos e donos de animais, preparámos as nossas próprias atividades, com o objetivo final de proporcionar às pessoas um mercado não só divertido mas didático. Se por um lado toda a logística do mercado, nos impede de o adiar, sugestão dada por alguns, por outro lado queremos retratar a realidade como ela era, simples e crua. Antigamente os Invernos eram longos e rigorosos, a vida das gentes do campo era dura e a venda dos produtos no mercado permitiam angariar algum dinheiro para comprar o porco que haveriam de criar e matar lá para o Natal, a compra do enxoval das filhas, a compra das mantas da azeitona e outros “luxos”. E houvesse sol ou chuva, os mercados faziam-se da mesma forma. Quantas vezes regressavam a casa, com uma molha no corpo, com os produtos não vendidos e sem dinheiro na algibeira. No sábado, os trabalhos começaram logo pela manhã. A construção dos currais para os animais, a taberna, a seleção dos produtos, a marcação dos preços, a confeção bolos e salgados, ocupou todo o dia de sábado, intercalado com as idas ao barbeiro para dar ainda maior realidade ao mercado através da caracterização das barbas e bigodes dos homens. Uma noite mal dormida, tamanha era a ansiedade e o domingo amanhecia para nosso desespero com chuva. Perante a instabilidade do tempo, os nervos começaram a apoderar-se de nós, parecia que tudo corria mal e nem as rezas da Ti Júlia nos pareciam valer de alguma coisa. Mas perante o “nosso” armazém cheio de produtos para vender, não havia outra opção, do que colocar as coisas na rua e ter fé, fosse o que Deus quisesse. E mesmo desfalcados, com muitos componentes doentes, obrigando a uma ginástica mais apertada, tudo se fez. As pessoas foram aparecendo e os amigos, pessoas tão importantes na nossa vida e na concretização do que somos hoje não faltaram. Os que fizeram questão em almoçar no nosso mercado, acabaram por fazê-lo de chapéu aberto, dando provas de que a persistência e a coragem não são sentimentos apenas nossos mas partilhados por tantos outros que tornam este mercado possível. Não foi o mercado que planeámos e sonhámos, era impossível alguns artesãos estarem presentes debaixo de chuva, e muitos dos donos de animais optaram por não virem e os presentes por resguardar os seus animais. Mas foi o mercado possível. A concertina ouviu-se e o fado cantado à desgarrada, pelos nossos amigos de Carregueiros, que desde já agradecemos a presença e a ajuda, (são momentos destes que nos unem e nos tornam mais próximos) animaram os presentes. Para maior animação do mercado, não faltou a nossa água-pé, os licores da Ti Júlia, os velhoses acabados de fazer da comadre Luísa, os pregões, o bailarico e os robertos. E um mercado faz-se não só de venda, mas de emoções, e este foi um mercado cheio de emoções fortes, sempre importantes por serem únicas, intensas e verdadeiras. Por fim um agradecimento a todos aqueles que tornaram o mercado possível e um desejo: que esta terra e esta gente de sonhos férteis, abençoada pela água, fortalecida pela aspereza do tempo e enriquecida pelo amor genuíno que brota em corações simples, possa criar raízes fortes, crescer e fortificar.
 






MERCADO À MODA ANTIGA

06 outubro 2015

MOSTRA DE CHEIROS E SABORES

Numa terra em que os cheiros são intensos e únicos e os sabores ficam gravados para sempre na memória, uma Mostra de cheiros e sabores, com a participação de todos os lugares da paróquia só poderia ser um sucesso. Dizem que quando é para dar certo, até os ventos sopram a favor, e aqui os ventos sopram de todos os lugares da paróquia que une esforços e congrega energias para a realização deste evento. Gosto particularmente desta proximidade, desta forma de encontro, destes dias de convívio que proporcionam o contacto, as conversas, os sorrisos à volta de coisas simples mas essenciais à vida. O adro da Igreja foi o lugar escolhido desde sempre para a realização dos "Cheiros e Sabores" e não podia ser melhor, lugar único e de uma beleza infinita, rodeado de verde, com o pinhal da quinta ali mesmo ao lado e com uma vista a perder-se no horizonte, local onde as palavras do poeta ganham ainda mais força…"da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do universo por isso a minha terra é tão grande como outra terra qualquer… nas cidades a vida é mais pequena que aqui na minha casa no cimo deste outeiro…" A Mostra de Cheiros e Sabores, foi uma iniciativa do Conselho Pastoral e Paroquial de Alviobeira, à qual o Rancho de Alviobeira se associou, fazendo neste dia o seu Encontro de Folclore Infantil e nos últimos dois anos realizando os quadros etnográficos em estátuas vivas sobre o tema do evento, o ano passado dedicado às vindimas e este ano ao tema arte e ofícios. Somos como o arroz doce e se há festa nós estamos lá. E nós estivemos por lá, como aliás estamos durante todo o ano, em diversas atividades organizadas por nós ou por outras associações, organizações ou coletividades, não porque gostamos de aparecer, mas porque gostamos de fazer (às vezes tão discretos que quase invisíveis). Este é um trabalho continuado, longo, difícil e exigente, mas recompensado pela presença de muitos e pelas palavras e gestos de tantos outros. Este é talvez o único evento que congrega todos os lugares da paróquia, antiga freguesia de Alviobeira, hoje integrada na união de freguesias Casais Alviobeira e que só por isso vale a pena ser realizado e acarinhado. Quem sabe se no futuro o evento não poderá ser alargado a toda a freguesia, e ganhar ainda uma maior dimensão, sendo talvez esta uma das formas senão a única de trabalhar no futuro. Não é por acaso que o Rancho de Alviobeira tem nos últimos anos realizado diversas atividades por todos os locais da freguesia, fazendo o ciclo do pão no Chão das Eiras, levando o Intimidades a Ceras e aos Calvinos e realizando as estátuas vivas em Ceras, havendo já a promessa de no próximo ano ir até ao Ventoso e Portela de Nexebra. Participaram no evento, os lugares de Alviobeira, Ceras, Chão das Eiras, Freixo, Manobra, Portela de Nexebra, Benfica e Ventoso, com tasquinhas dedicadas ao tema Artes e Ofícios, tendo sido contemplados, o tanoeiro, tecedeira, cesteiro, sapateiro, moleiro e carpinteiro. As tasquinhas que capricharam no que respeita à decoração estavam igualmente recheadas dos mais variados petiscos dos doces aos salgados. Muitas são as pessoas envolvidas neste evento, que não poupam esforços na decoração das suas tasquinhas e na recolha de alimentos para vender nesse dia. Um esforço louvável, que deve ser reconhecido por todos, nem que seja apenas através de uma visita. Por volta das 15H30 e durante aproximadamente uma hora, apresentámos mais uma vez os nossos quadros etnográficos em estátuas vivas, também eles dedicados ao tema artes e ofícios e a animação foi total. A tarde de folclore Infantil teve início pelas 17H30 e contou com a presença do Grupo da Casa, como não podia deixar de ser, com a Escola de Etnografia da Casa do Povo de Cacia, que regressou a Alviobeira após 10 anos de ter estado por estas bandas e a Escola de brincadeiras tradicionais do R.F da Linhaceira. Perante os olhares embevecidos de toda a família, os “nossos” pequenos dançaram e encantaram. De referir que a Mostra de Cheiros e Sabores foi o momento escolhido para a apresentação do quadro que o artista Tó Carvalho pintou sobre o centenário da primeira guerra mundial e cuja exposição em Alviobeira já tínhamos prometido. Como o evento é uma parceria entre o Rancho e o Conselho Pastoral Paroquial de Alviobeira, o resultado financeiro do evento será repartido, sendo que a parte do CPP é entregue rotativamente às diversas capelas da paróquia, sendo este ano contemplada a capela dos Chão das Eiras. Como o "nosso" trabalho não se esgota numa única atividade, aqui estamos nós a preparar o III Mercado à Moda Antiga que promete surpreender e que terá lugar já no próximo dia 11de Outubro na Rua do Comércio e Rua da Fonte em Alviobeira, durante todo o dia. Será uma oportunidade única para passear, divertir-se, comer, fazer compras e passar uma tarde diferente em ambiente familiar. E já sabem, nós estaremos por cá faça sol ou faça chuva, porque Alviobeira acontece!

9ª MOSTRA DE CHEIROS E SABORES - ENCONTRO DE FOLCLORE INFANTIL

21 setembro 2015

Estátua Vivas - ARTES E OFÍCIOS

07 setembro 2015


Na sexta feira dia 28 de Agosto fomos novamente à rua de S. João apresentar as "nossas" estátuas vivas, desta vez à volta do tema arte e ofícios. Um obrigado especial ao Restaurante Pizzeria "O Siciliano" pela aposta no nosso trabalho e pela divulgação do mesmo. No final da noite, na altura dos agradecimentos dissemos que a rua de S. João estava a tornar-se a nossa casa, já que nos sentíamos naquela rua como na nossa terra... na nossa aldeia... na nossa casa... deve-se a isso a hospitalidade e a simpatia das pessoas, a forma como somos recebidos, e aposta frequente, sem medos e reservas no nosso trabalho. A noite estava agradável, e pela rua distribuímos os vários quadros, nomeadamente: o barbeiro, costureira e alfaiate, sapateiro, cesteiro, tanoeiro, vendedora, bordadeiras, tecedeira, parteira, Sr. Doutor, Sr. Prior e a curandeira. Desta vez apresentámos os quadros de uma forma diferente, recorrendo à narração de uma história sobre uma aldeia, de seu nome de S. João, cujos os habitantes desempenhavam as atividades atrás referidas. À medida que a história ia sendo contada, os quadros ganhavam vida por alguns momentos, ficando depois imóveis, permitindo ás pessoas, passaram, apreciarem e recordarem. No fim da noite, ainda houve tempo para o bailarico, porque festa que é festa tem que ser cantada e dançada. Ainda tempo para uma refeição saborosa, assim como são todas as refeições confecionadas com amor. Mais uma vez um obrigado do tamanho do nosso coração à Ana Bela Santos e ao Restaurante Pizzeria "O Siciliano". É bom ter amigos assim.

Participação no programa VERÃO TOTAL

Quando somos chamados a representar a nossa terra e o nosso concelho (Tomar), é com prazer e muito orgulho que o fazemos. São 27 anos a representar esta terra, os seus usos e costumes, sempre com muita paixão e vontade de fazer mais e melhor. Se cantar e bailar é muito bom, desde cedo, descobrimos outras formas de transmitir as tradições dos nossos antepassados. E desde essa altura nunca mais parámos, tem sido uma busca inquietante mais gratificante. E todos os anos trabalhamos no sentindo de criar novas formas de levar a etnografia mais longe e a novos públicos. Neste sentido temos criado e apresentado espetáculos como o Intimidades, Pulsações, Terra Fértil, Estátuas Vivas, bem como recriações de matanças, mercados à moda antiga, romarias, peregrinações, realizado exposições, realizado e documentado ciclos rurais como o do pão, vinho e azeite e produzido filmes. Tem sido um trabalho difícil, mas ao mesmo tempo enriquecedor. Quando somos chamados a participar num programa de televisão, normalmente apenas nos é dado um período bem reduzido de intervenção, sabemos que em televisão todos os minutos são importantes, mas se isso acontece deve-se à falta de conhecimento de muitas pessoas sobre o trabalho que os Ranchos desenvolvem na recolha, preservação e divulgação de uma entidade cultural que é a nossa. Quisemos no Verão Total apresentar para além da dança e da música uma das muitas catividades que desenvolvemos, agradecemos para tal a oportunidade que nos foi dada pela equipa do Verão Total, aliás muito simpática e profissional. Foi assim que levámos os quadros etnográficos em Estátuas vivas. Para quem tem curiosidade sobre o aparecimento da ideia de fazer os quadros etnográficos, contamos a história da primeira vez que os fizemos. Em 2003 realizámos uma exposição de fotografia, as fotos foram expostas nas paredes exteriores das casas em diversas ruas de Alviobeira, (e que devido à aceitação permanecem até hoje) e no dia da inauguração queríamos fazer alguma coisa diferente. A exposição intitulava-se "O Corpo em movimento" e documentava o movimento na dança, e nós queríamos mostrar que esse movimento era mais que a dança, era mais que o palco, que era um movimento muito mais abrangente que passava por trabalhar a ideia do cultivar (continuar) um passado (história) das nossas raízes ligada à nossa entidade cultural. Representámos então quadros etnográficos, recorrendo à imobilidade, tal como as fotografias, mas reais. Como os quadros eram imóveis verificámos que isso permitia às pessoas olharem e voltarem a olhar. Era como pegar numa fotografia e observar e deixar vir à memória todas as recordações que aquela “fotografia” despertava: pessoas, momentos, cheiros… muitas recordações …. E as pessoas passavam, olhavam, e ficavam largos minutos a olhar e a deixar as memórias invadir-lhe a alma e o coração, depois começavam a falar e a contar histórias. Os mais velhos aos mais novos, uns com os outros e até monólogos, em todos os casos, oportunidades únicas de aprendizagem e conhecimento. E desde esse momento as estátuas nunca mais pararam. A escolha dos quadros etnográficos para o verão Total, teve a ver com a importância de três elementos na vida das gentes de Alviobeira, nomeadamente o azeite, o vinho e o pão. Três ciclos, que temos vindo a desenvolver e a documentar desde 2003 e que tem também como objetivo o desenvolvimento social, económico e cultural da região e o enraizar de laços afetivos à terra e à comunidade. Se durante alguns anos, foi-lhe dado menos importância, hoje em dia eles começam aos poucos a ganhar a importância de outros tempos. Como na vida tudo é cíclico, aquilo que foi abandonado em tempos, nomeadamente a agricultura está a ser retomada principalmente pela população mais jovem, também como alternativa à falta de emprego. Esse interesse pela agricultura ainda se reveste de maior importância porque vem associado à vontade de proteger os alimentos, recorrendo à agricultura biológica e não ao uso excessivo de químicos. Antigamente desde que as talhas tivessem azeite, os barris vinho e as arcas milho, o sustento da família, que era normalmente numerosa estava assegurado. Não é por acaso que o azeite faz parte da dieta mediterrânica, hoje património imaterial da humanidade. Era usado em mesinhas caseiras, males da alma como o mau olhado, alimentação e Iluminação O vinho era usado não só como elemento de convívio mas também de alimento/ sustento. Até há pouco tempo, em muitas aldeias do interior dava-se vinho às crianças ao pequeno almoço. Usava-se as sopas de cavalo cansado para dar força para o trabalho do campo, que não era fácil. O pão o alimento por excelência. Sempre presente em todas as refeições. Apresentámos também um quadro de artes e ofícios, e como não podia deixar de ser tivemos que levar a tecedeira. Alviobeira era terra de tecedeiras, muitos são os teares e as peças feitas nos mesmos. Durante anos, a Ti Leonor, componente do Rancho e tecedeira de ofício, fez muitas peças no tear, hoje usadas nos nossos trajos. Mas nem só de trabalho viviam as gentes de Alviobeira, era nas romarias e festas que se faziam que se vestiam os melhores trajos e eram dias de oração e convívio. E o convívio passa obrigatoriamente pela partilha da comida e pela dança. Assim foi a nossa passagem pela Verão Total com a apresentação da moda: Amor seguimos ao Norte e apresentação de quadros etnográficos em estátuas vivas.

"PULSAÇÕES" FOI AO ENTROCAMENTO

29 julho 2015









 
FOTOS: ANTÓNIO FREITAS

Foi numa noite fria e um pouco ventosa que na passada sexta-feira, rumámos ao Entrocamento, mais propriamente à Praça Salgueiro Maia para apresentarmos, pela segunda vez, o “Pulsações”.
Apresentado pela primeira vez no cine teatro Paraíso em Tomar, a 13 de Fevereiro deste ano, este espetáculo que resulta de uma adaptação de um Primeiro Pulsações apresentado em Alviobeira, em Maio de 2014, continua a querer pulsar nos nossos corações e nos de quem nos vê.
Na apresentação do Pulsações pode ler-se “Pulsações é algo da natureza, essa pulsação que existe na natureza, nos animais, nas plantas é uma renovação, uma procura por uma linguagem de movimento, simplesmente.
Nada pode parar o sangue que corre nas veias e o que pulsa em corpos inquietos. Há sempre algo que escapa aos trajetos permitidos e ordenados; alguma maneira de inventar outros movimentos, outros percursos…
Essa procura/ descoberta do movimento faz com que o Pulsações seja um espetáculo que requer da nossa parte (componentes/atores) uma entrega total e uma preparação que conta com muitas horas de ensaios. Feito de pormenores, exigente nas emoções, nas expressões corporais e faciais, que têm que ser trabalhadas minuciosamente, este espectáculo “obriga” a várias repetições e ensaios para que no final tudo pareça simples, fácil, “limpo”.
Um corpo que se movimenta e conta uma história, que se entrega totalmente sem “(pre)conceitos”, que se vai (des)construindo para trazer à superfície a sua essência, aquela que por vezes está demasiado “camuflada”… é esta a proposta do Pulsações, que unindo canto, dança e interpretação, pretende (des)construir o folclore percorrendo uma trajetória cénica entre origem, memórias, movimento e criatividade…e que no final fique o silêncio, as memórias, o sentido verdadeiro.
Conciliando os ensaios do Pulsações com estudos, trabalho, atuações, e outros espetáculos que temos em cartaz, preparámos o Pulsações de forma a levá-lo ao Entrocamento, a verdade é que queríamos muito responder afirmativamente ao convite feito pela Câmara Municipal do Entrocamento, e nem a nossa agenda preenchida e o fato do palco ser ao ar livre nos impediu de levar o Pulsações à cidade Ferroviária.
Com as emoções à flor da pele, com o vento a bater nos nossos rostos, com algumas borboletas na barriga e com o coração a Pulsar, as danças, os movimentos, os sons foram enchendo a Praça Salgueiro Maia, perante uma plateia que tentava perceber do que se tratava aquele novo Pulsar.
Para quem não encontrou respostas, sugerimos que sintam a energia que vem da terra, e que se ouve no coração, que cria movimento, a descoberta do movimento… às vezes inquietante, por ser novo… às vezes rude, por ser genuíno, ás vezes exigente por ser verdadeiro… que nos leva a dar tudo… a ousar criar… sem medos, sem retoques… natural...
E depois desta descoberta, o olhar olhos nos olhos! O encontro natural… de quem não tem nada a esconder.
No final esse encontro traduziu-se pelo agradecimento, simbolizado num ramos de flores (onde havia girassóis… afinal ainda há coincidências) trazido pelas mãos do presidente da Câmara Municipal do Entroncamento, Dr. Jorge Manuel Alves de Faria, também ele homem de números mas capaz de interpretar estes Pulsações que ousa usar outras equações.