FIM DE SEMANA DA FESTA DE ALVIOBEIRA

22 agosto 2016

















Fotos: Tozé Dias e António Freitas
Sabíamos desde a algum tempo que este era um fim de semana comprido, mas recheado de atividades, não fosse o fim de semana da nossa festa de verão.
Desde sempre este Rancho se habitou a trabalhar e a ajudar nas atividades da comunidade, mesmo quando a organização não é da sua responsabilidade. Talvez seja esta capacidade de se dar a si próprio que mais admiro e aprecio nos elementos do Rancho de Alviobeira.
Por cá costuma-se dizer que quem mais dá mais recebe, e esta gente está habituada a dar muito de si. São muitas as atividades que o Rancho organiza ao longo do ano, e que vão muito além das atuações em festas e festivais de Folclore, embora elas façam parte, como é obvio da vida deste grupo. Mercados, Romarias, Estátuas Vivas, Espetáculos de Dança, teatro, Ronda das Adegas, ciclos do vinho e do azeite, Mostra de cheiros e sabores, entre outras, fazem parte do nosso plano de atividades, obrigando a uma organização eficiente e a uma capacidade de trabalho única.
Mas quando chega a festa de Alviobeira, independente de ser o Rancho a organizar, e já o fez alguns anos, os componentes do Rancho aparecem a trabalhar e a colaborar em todos os setores da festa, principalmente no Restaurante e cozinha.
Gosto desta entrega, deste sentido de responsabilidade e de um querer ajudar a sua terra e a sua festa. E nem o fato de termos três atuações neste fim de semana, nomeadamente no Festival de Folclore do Pego, na festa da Arega e claro está na festa de Alviobeira, foi motivo de alheação.
Entre atuações, missas e procissões, fomos arranjando sempre tempo para ajudar e colaborar com a o CRC Alviobeira, que este ano esteve responsável pela festa de Alviobeira.
Acabou a festa de Alviobeira, mas Alviobeira continuará em festa não fosse ela uma Alviobeira onde todo o ano ACONTECE.

Casamento da Elsa e do Mário

Este fim-de-semana foi o casamento da Elsa e do Mário e nós estivemos lá. Quem faz parte desta família (Rancho) sabe bem que não podia ser de outra forma. A Elsa é filha do Sr. Manuel e da Miquelina e tanto os seus pais, como os seus irmãos e ela própria fizeram parte desta grande família. As circunstâncias da vida fizeram com que apenas hoje o Sr. Manel esteja no Grupo, mas isso não significa que esquecemos o contributo desta “grande” família para o crescimento do Rancho de Alviobeira. Uma família cheia de dotes artísticos, desde o canto, a dança, a música e de uma simpatia contagiante. E se o dia era de festa e de emoções e alegrias partilhadas, não foi possível deixar de sentir uma saudade gigante da Miquelina. Saudade da mãe, da cantadeira e da pessoa que foi e da importância que teve para o crescimento e união desta família. Aquilo que fizemos no casamento da Elsa não foi uma atuação, mas um fazermo-nos presentes neste momento tão especial da sua vida e uma forma de agradecimento a esta família por tudo aquilo que nos têm dado. Houve partilha de danças, de sorrisos e de memórias …. aquelas que nos enchem o coração e que dão sentido a tudo isto…

ARRAIAL DE S. PEDRO

05 julho 2016














Recuando alguns anos e vasculhando no universo das minhas memórias, encontro os arraiais populares por altura do S. Pedro, realizados quase sempre no Coval. Mesmo quando na aldeia não se fazia o arraial, na serventia de acesso à minha casa e à dos meus vizinhos, havia fogueira, balões e música, bastava para isso a existência de quatro jovens praticamente da mesma idade, que aproveitavam todos os momentos para divertirem-se.
O cheiro da fogueira que ao queimar as ervas aromáticas libertava um aroma único, o saltar da fogueira, a marcha inventada no momento e que todos seguiam e copiavam como tivessem ensaiado horas a fio, os sorrisos, as conversas animadas e o brilho nos olhos, tornavam os arraiais momentos especiais e importantes para a unidade da aldeia.
A marcha era na maior parte das vezes animadas pelas vozes dos presentes e por alguns instrumentos improvisados no momento e os arcos feitos com paus dobrados eram enfeitados com balões e flores de papel. Naquilo que alguns podem chamar de pobreza, residia a alegria de uma aldeia que para se divertir apenas cumpria uma regra: fazer-se presente.
A tristeza era a única a não ser convidada e não havia penalizações pelo não cumprimento das regras. O número de marchantes, de aguadeiros, a existência de cavalinho, de arcos com certos elementos, de figurinos e coreografias, de mascotes e padrinhos, eram coisas que não nos preocupavam. Continuo a gostar dessa simplicidade, gosto da espontaneidade e da alegria de um povo que para brincar e fazer festa, não precisava de mais nada, apenas do querer.
Nesses dias nunca ficava em casa, marcar presença nos acontecimentos e festas da aldeia foi uma herança da minha família habituada a trabalhar nas atividades da aldeia, nas comissões de festas, nas direções do CRC e que sempre contribuiu para a dinamização e crescimento desta terra.
Impregnada deste ambiente que me foi incutido e passado desde muito nova, aqui estou eu, em conjunto com os elementos do RFEA, a tentar reavivar o espírito comunitário de encontro e de convívio, que para divertir-se tem primeiro que trabalhar, só assim a alegria é mais intensa e duradoura, indo muito além dos dez minutos de “fama”.
A construção rima com transpiração e o trabalho é um elo que une as pessoas.
Acredito verdadeiramente que a solidariedade produzida pela divisão do trabalho fortalece o grupo tornando-o mais forte.
Todas as horas dedicadas à comunidade fomentando a amizade e os laços familiares de uma aldeia, são horas ganhas em crescimento pessoal.
Somos aquilo que fazemos e o que fazemos é aquilo que somos. Pena que hoje muitos tenham optado mais por parecer do que ser.
As coisas mudaram, algumas para melhor, outras nem por isso. Perdemos a simplicidade e a capacidade de encontrar a alegria nas pequenas coisas, de rir de banalidades, de fazer de cada momento um brinde à vida. Hoje só estamos bem onde não estamos. Uma insatisfação interior que nos leve a procurar longe aquilo que só podemos encontrar dentro de nós.
Cada vez mais tenho consciência de duas coisas: a primeira é que para ser feliz é preciso muito pouco (o cheiro do alecrim a queimar na fogueira, uma dança improvisada, três dedos de conversa e uma sardinha assada) a segunda é a de que quem mais dá mais recebe.
O arraial de S. Pedro, realizado no passado sábado no recreio da antiga escola primária, hoje cedida ao RFEA, numa noite agradável, teve fogueira, marchas, sardinha assada e conversas.
Os preparativos começaram logo a seguir ao almoço à medida que foram chegando alguns dos componentes dispostos a trabalhar e a fazer do trabalho festa.
A todos que dão tanto de si a esta terra e a todos que fazem questão em marcar presença nas nossas atividades o nosso sincero agradecimento.
Continuaremos a trabalhar para fazer Alviobeira Acontecer

ARRAIAL NA ESCOLA

23 junho 2016


ANDAIME - Bailéu

01 junho 2016











Depois da apresentação do Andaime, só agora encontro um tempo para escrever sobre este espetáculo apresentado pelo RFEA no passado dia 27 de maio no Cine Teatro Paraíso.
Desde o início do ano que estava agendado no nosso plano de atividades o ANDAIME, mas se quisermos ir à origem deste espetáculo temos que recuar até julho do ano passado, quando levámos o Pulsações no Entroncamento, não foi por acaso que a foto escolhida para o cartaz foi lá tirada.
Na altura a logística “obrigou-nos” a colocar a tocata e cantata em andaimes, surgindo ali a ideia de fazer um espetáculo utilizando uma estrutura de tamanho, material e utilização diferente das “nossas” habituais cadeiras.
Claro que o Andaime que nasceu nesse dia, estava longe do ANDAIME apresentado ao público, esse resultou de muitas horas de trabalho, já que a criatividade não aparece num estalar de dedos (às vezes é preciso “estalar-se” muitas outras coisas), de muitos longos e exigentes ensaios, da convivência com dores musculares, frustrações, dificuldades e cansaço.
Qualquer obra de arte, exige tempo, dor, paciência, amor, dedicação ao mesmo tempo que é esculpida, pintada, trabalhada…
Este Andaime se ao espetador pode parecer de fácil execução, exige minúcia, treino, dedicação, repetições várias do movimento e uma entrega total não só de corpo, mas principalmente de alma.
É exigente na linguagem, no pormenor, nos momentos de silêncio, que alguns dizem ser em demasia, mas os necessários para fazer luto… interiorizar a morte, a dor e a perda, tal como (deve) acontece na nossa própria vida.
Andaime fala da morte das tradições, usos e costumes dos nossos antepassados, e do estigma que o Folclore continua a ter. Vai-se lá saber porquê continua a ser olhado de lado, mal- tratado, apertado, esmagado...
Também a atividade rural parece desaparecer à velocidade com que morrem as gentes mais velhas que ainda cultivam a terra e a amam.
E se à primeira vista parece ser a morte das nossas tradições, que foram transmitidas de geração em geração, a verdade é que essa morte que tantos anseiam e agoiram, tal abutres sempre prontos a comer o que dela possa ainda restar, eis que ela renasce, pura, simples, sem pretensões, despida…. Desprovidos daquilo que somos e acreditamos parece ser mais fácil engaiolar-nos.
E esse Andaime que nos poderia levar mais alto, mais longe, torna-se o nosso aprisionamento, a nossa gaiola.
Envolvidos no nosso dia a dia, correndo de um lado para outro, atordoados pelos sons da “cidade”, tornamo-nos verdadeiras aves de capoeira, incapazes de outros voos.
Nessa correria somos por vezes atropelados por uma dor maior, a doença, a perda de alguém que amamos, a solidão, são esses momentos que nos levam ao "fundo do poço", e onde o silêncio ganha voz e grita: acorda, levanta, reage!
Somos invadidos por “sonhos” destruturados, por memórias que embora longínquas nos invadem, inquietam e questionam... tradições, lendas, contos, provérbios, canções, danças, jogos, religiosidade, brincadeiras infantis, mitos, idiomas e dialetos, adivinhações, festas e outras atividades culturais que nasceram e se desenvolveram com o povo, povoam agora os sonhos daqueles que têm memórias, lembranças, recordações.
E a tradição que muitos pensavam ter enterrado e "comido", ganha cheiro, cor, movimento, voz... e leva ao encontro e ao desenvolvimento de laços familiares e comunitários, contribuindo para o equilíbrio emocional entre as pessoas.
E assim continuará desde que seja transmitida às gerações futuras.
Andaime pretende olhar para aquilo que já fomos e que é importante voltar a ser.
Foram muitos os que ajudaram a colocar este ANDAIME "de pé".
A todos os meus sinceros agradecimentos. Aos componentes do RFEA, obrigada principalmente pela confiança que em mim depositam, foram e continuarão a ser fonte de inspiração.
Ao Zé, pela sua presença nos diferentes momentos deste trabalho mas, principalmente, por ser um amigo-irmão-companheiro, estando presente onde eu estive ausente.
Ao Hugo pela disponibilidade, confiança e estímulo. Tenho a certeza que sem o seu talento, inteligência, e perspicácia este Andaime não chegaria tão longe e tão alto.
Ao António Ferreira, Fernando Nunes e Paulo/Carla Honório, pela disponibilidade em ajudar em questões técnicas, tais como cedência de andaimes, luz e espaço.
Dedico este trabalho à minha família (a de sangue e a de coração) que sempre acreditou e tudo fez para que eu também acreditasse que cada um pode construir o seu caminho, com respeito ao próximo, com ética e coragem para transpor todos os obstáculos.
A força para alcançar este propósito, reside em cada um. Sustenta-se principalmente na capacidade de amar incondicionalmente, na sapiência de doar e, também de receber.

ANDAIME - Bailéu

16 maio 2016


FESTA DE ANIVERSÁRIO

29 abril 2016

Longe de estar pronta, mas bonita e acolhedora o suficiente para receber a festa do 28º aniversário do RFEA, a antiga escola primária de Alviobeira, ganhou vida, cor, movimento, música e alegria...
O trabalho continuará, muito ainda há a fazer... mas o caminho faz-se caminhando...