IV MERCADO À MODA ANTIGA

12 outubro 2016

Foi no passado dia 9 de outubro que se realizou a 4ª edição do Mercado à Moda Antiga, uma iniciativa do Rancho Folclórico e Etnográfico de Alviobeira.
Esta é uma atividade só possível com a presença e contributo de muitos e o total envolvimento dos componentes do Rancho dispostos a sair do conforto de suas casas para proporcionar aos Alviobeirenses, amigos e visitantes um dia diferente.
Contrariando as últimas duas edições, onde a chuva e o vento forte marcaram presença, o dia amanheceu com o sol a brilhar, iluminando a rua e convidando as pessoas a uma visita ao Mercado. As pessoas foram aparecendo, compraram os nossos produtos (uma forma de ajudar este Rancho que precisa de trabalhar para sobreviver), passearam, dançaram, cantaram, conversaram, encantaram-se com os animais, e fizeram deste Mercado um momento de encontro e confraternização.
Há algum tempo a esta parte que o final de setembro e início de outubro é a altura dos Mercados para este Rancho.
São três domingos consecutivos dedicados à venda. Pode parecer coisa pouca, mas para quem tem que conciliar estudos, atividade profissional e vida pessoal, envolve uma grande ginástica física e psicológica.
Os preparativos começaram há muitos dias atrás, pois a lista das atividades é extensa e exige organização, empenho e coordenação entre todos.
É altura de acender os fornos, para cozer o pão, as brendeiras com petingas, azeite e cebola, o pão com chouriço, as petingas assadas, preparar e engarrafar os famosos licores da “Ti Júlia”, organizar os produtos que vão chegando à garagem do Zé e da Cidália, o “nosso” armazém de serviço, preparar a louça, as bancas, a água pé, a limonada, o capilé, as capoeiras para os animais, e muitas outras coisas necessárias para a realização deste mercado.
São momentos únicos de convívio e alegria, momentos genuínos, intensos, que nos libertam a alma, mas que também "amassam" o corpo provocando cansaço e exigindo da parte de quem n’eles está envolvido muita dedicação e generosidade.
O dia do mercado é longo, começa bem cedo, antes mesmo do sol nascer e termina pela noite dentro. Uma maratona que parece não ter fim, mas que deixa saudades logo que termina.
A música, a animação, os pregões dos vendedores, as conversas animadas entre as pessoas, dão colorido, animação e agitação às ruas de Alviobeira, recordando outros tempos em que as mesmas eram ponto de encontro e as conversas momentos de lazer.
É um dia intenso, numa Alviobeira que neste dia parece ainda mais bonita… gosto desta Alviobeira, que sendo pequena é do tamanho do mundo






















MERCADO À MODA ANTIGA

03 outubro 2016



X Mostra de Cheiros e Sabores e Encontro de Folclore Infantil

28 setembro 2016















Mais um ano, o adro da igreja de Alviobeira foi invadido por cheiros e sabores, trazidos dos vários lugares da Paróquia. Ceras, Chão das Eiras, Freixo, Manobra, Portela de Nexebra/Benfica/Ventoso, e claro está Alviobeira, foram os lugares responsáveis pelas tasquinhas que estavam para além de muito bem decoradas, recheadas de doces e salgados, de fazer crescer água na boca.
O evento continua a ser uma oportunidade única para congregar e unir as aldeias que fazem parte da paróquia, e que ao longo do ano vão desenvolvendo atividades nos respetivos lugares, mas que neste dia se deslocam à paróquia, para em conjunto realizar esta Mostra.
E como é bom, mesmo que isso aconteça apenas uma vez por ano, reunir a paróquia e fazer da festa uma oportunidade de encontro e convívio.
Todos os anos é escolhido um tema para o evento, tendo sido a azeitona e o azeite o tema eleito deste ano.
Alviobeira sempre esteve ligada à actividade da extracção do azeite, de grande significado no que respeita à economia do agregado familiar. Actualmente continua a tratar-se e a cuidar-se do que resta da pertença dos nossos antepassados, que as mãos e o conhecimento de quem sabe e os herdou teima em não deixar morrer, com alguma fé no futuro e nas gerações futuras.
Nas tasquinhas podia encontrar-se muitos salgados confecionados com azeitonas e doces onde o azeite era um dos ingredientes.
Para a decoração das tasquinhas foram usados os utensílios da apanha da azeitona e do lagar e pelo elevado número de utensílios que chegaram até nós, comprova-se a sua importância e prática até aos nossos dias.
O evento começou logo pela manhã com a Eucaristia, seguida da abertura das tasquinhas. Algumas pessoas optaram por ficar, fazendo ali o seu almoço e acabando por passar o resto da tarde em amena cavaqueira.
A tarde foi animada pelo grupo “As azeitonas”, uma surpresa/ brincadeira que o coro da igreja preparou exclusivamente para este momento.
Também o Rancho fez a apresentação de quadros etnográficos em estátuas vivas, à volta do tema, e podia encontrar-se no adro da igreja um olival plantado exclusivamente para o efeito, onde se podia apreciar os seguintes quadros: o capataz, a apanha da azeitona, o jantar no campo, a sesta, a limpa da azeitona, o lagareiro, a mulher a remendar as mantas da azeitona, o retalhar azeitona, os trabalhos no tear feitos à luz da candeia, a ceia na casa pobre, onde o conduto muitas vezes era o azeite, uma refeição na casa grande onde o azeite também estava presente e a curandeira da aldeia rezando o quebranto, usando para tal o azeite.
A tarde de Folclore Infantil animou o fim da tarde e contou com a presença do Grupo da Casa, como não podia deixar de ser, com o Grupo do Milharado – Mafra e com o Grupo da Casa do Povo do Pego.
Perante os olhares embevecidos de toda a família, os “nossos” pequenos dançaram e encantaram. Como o evento é uma parceria entre o Rancho e o Conselho Pastoral Paroquial de Alviobeira, o resultado financeiro do evento será repartido, sendo que a parte do CPP é entregue rotativamente às diversas capelas da paróquia, sendo este ano contemplada a capela do Ventoso.
Esta foi mas uma Mostra de Cheiros e Sabores e sendo o único evento que congrega todos os lugares da paróquia, antiga freguesia de Alviobeira, hoje integrada na união de freguesias Casais Alviobeira, deve ser protegido, acarinhado, apoiado e incentivado.
O seu principal objectivo é a união entre lugares e paróquias, união que um dia muitos sonharam e muitos lutaram para a sua concretização.
Mas este sonho, um dia tornado realidade, urge em ser continuado, correndo o risco, de ser esquecido. Isso requer principalmente presença e palavras de incentivo, que é exigido a todos e não somente aos paroquianos. Alviobeira acontece! Basta querer….e fazer…
O Rancho continuará com o seu plano de actividades, realizando já no próximo domingo dia 9 de Outubro o Mercado à Moda Antiga, na rua do comércio, em Alviobeira.
Aproveite para passear, fazer algumas compras e divertir-se e fazer parte desta Alviobeira que teima em ACONTECER.

MOSTRA DE CHEIROS E SABORES

13 setembro 2016

FIM DE SEMANA DA FESTA DE ALVIOBEIRA

22 agosto 2016

















Fotos: Tozé Dias e António Freitas
Sabíamos desde a algum tempo que este era um fim de semana comprido, mas recheado de atividades, não fosse o fim de semana da nossa festa de verão.
Desde sempre este Rancho se habitou a trabalhar e a ajudar nas atividades da comunidade, mesmo quando a organização não é da sua responsabilidade. Talvez seja esta capacidade de se dar a si próprio que mais admiro e aprecio nos elementos do Rancho de Alviobeira.
Por cá costuma-se dizer que quem mais dá mais recebe, e esta gente está habituada a dar muito de si. São muitas as atividades que o Rancho organiza ao longo do ano, e que vão muito além das atuações em festas e festivais de Folclore, embora elas façam parte, como é obvio da vida deste grupo. Mercados, Romarias, Estátuas Vivas, Espetáculos de Dança, teatro, Ronda das Adegas, ciclos do vinho e do azeite, Mostra de cheiros e sabores, entre outras, fazem parte do nosso plano de atividades, obrigando a uma organização eficiente e a uma capacidade de trabalho única.
Mas quando chega a festa de Alviobeira, independente de ser o Rancho a organizar, e já o fez alguns anos, os componentes do Rancho aparecem a trabalhar e a colaborar em todos os setores da festa, principalmente no Restaurante e cozinha.
Gosto desta entrega, deste sentido de responsabilidade e de um querer ajudar a sua terra e a sua festa. E nem o fato de termos três atuações neste fim de semana, nomeadamente no Festival de Folclore do Pego, na festa da Arega e claro está na festa de Alviobeira, foi motivo de alheação.
Entre atuações, missas e procissões, fomos arranjando sempre tempo para ajudar e colaborar com a o CRC Alviobeira, que este ano esteve responsável pela festa de Alviobeira.
Acabou a festa de Alviobeira, mas Alviobeira continuará em festa não fosse ela uma Alviobeira onde todo o ano ACONTECE.

Casamento da Elsa e do Mário

Este fim-de-semana foi o casamento da Elsa e do Mário e nós estivemos lá. Quem faz parte desta família (Rancho) sabe bem que não podia ser de outra forma. A Elsa é filha do Sr. Manuel e da Miquelina e tanto os seus pais, como os seus irmãos e ela própria fizeram parte desta grande família. As circunstâncias da vida fizeram com que apenas hoje o Sr. Manel esteja no Grupo, mas isso não significa que esquecemos o contributo desta “grande” família para o crescimento do Rancho de Alviobeira. Uma família cheia de dotes artísticos, desde o canto, a dança, a música e de uma simpatia contagiante. E se o dia era de festa e de emoções e alegrias partilhadas, não foi possível deixar de sentir uma saudade gigante da Miquelina. Saudade da mãe, da cantadeira e da pessoa que foi e da importância que teve para o crescimento e união desta família. Aquilo que fizemos no casamento da Elsa não foi uma atuação, mas um fazermo-nos presentes neste momento tão especial da sua vida e uma forma de agradecimento a esta família por tudo aquilo que nos têm dado. Houve partilha de danças, de sorrisos e de memórias …. aquelas que nos enchem o coração e que dão sentido a tudo isto…

ARRAIAL DE S. PEDRO

05 julho 2016














Recuando alguns anos e vasculhando no universo das minhas memórias, encontro os arraiais populares por altura do S. Pedro, realizados quase sempre no Coval. Mesmo quando na aldeia não se fazia o arraial, na serventia de acesso à minha casa e à dos meus vizinhos, havia fogueira, balões e música, bastava para isso a existência de quatro jovens praticamente da mesma idade, que aproveitavam todos os momentos para divertirem-se.
O cheiro da fogueira que ao queimar as ervas aromáticas libertava um aroma único, o saltar da fogueira, a marcha inventada no momento e que todos seguiam e copiavam como tivessem ensaiado horas a fio, os sorrisos, as conversas animadas e o brilho nos olhos, tornavam os arraiais momentos especiais e importantes para a unidade da aldeia.
A marcha era na maior parte das vezes animadas pelas vozes dos presentes e por alguns instrumentos improvisados no momento e os arcos feitos com paus dobrados eram enfeitados com balões e flores de papel. Naquilo que alguns podem chamar de pobreza, residia a alegria de uma aldeia que para se divertir apenas cumpria uma regra: fazer-se presente.
A tristeza era a única a não ser convidada e não havia penalizações pelo não cumprimento das regras. O número de marchantes, de aguadeiros, a existência de cavalinho, de arcos com certos elementos, de figurinos e coreografias, de mascotes e padrinhos, eram coisas que não nos preocupavam. Continuo a gostar dessa simplicidade, gosto da espontaneidade e da alegria de um povo que para brincar e fazer festa, não precisava de mais nada, apenas do querer.
Nesses dias nunca ficava em casa, marcar presença nos acontecimentos e festas da aldeia foi uma herança da minha família habituada a trabalhar nas atividades da aldeia, nas comissões de festas, nas direções do CRC e que sempre contribuiu para a dinamização e crescimento desta terra.
Impregnada deste ambiente que me foi incutido e passado desde muito nova, aqui estou eu, em conjunto com os elementos do RFEA, a tentar reavivar o espírito comunitário de encontro e de convívio, que para divertir-se tem primeiro que trabalhar, só assim a alegria é mais intensa e duradoura, indo muito além dos dez minutos de “fama”.
A construção rima com transpiração e o trabalho é um elo que une as pessoas.
Acredito verdadeiramente que a solidariedade produzida pela divisão do trabalho fortalece o grupo tornando-o mais forte.
Todas as horas dedicadas à comunidade fomentando a amizade e os laços familiares de uma aldeia, são horas ganhas em crescimento pessoal.
Somos aquilo que fazemos e o que fazemos é aquilo que somos. Pena que hoje muitos tenham optado mais por parecer do que ser.
As coisas mudaram, algumas para melhor, outras nem por isso. Perdemos a simplicidade e a capacidade de encontrar a alegria nas pequenas coisas, de rir de banalidades, de fazer de cada momento um brinde à vida. Hoje só estamos bem onde não estamos. Uma insatisfação interior que nos leve a procurar longe aquilo que só podemos encontrar dentro de nós.
Cada vez mais tenho consciência de duas coisas: a primeira é que para ser feliz é preciso muito pouco (o cheiro do alecrim a queimar na fogueira, uma dança improvisada, três dedos de conversa e uma sardinha assada) a segunda é a de que quem mais dá mais recebe.
O arraial de S. Pedro, realizado no passado sábado no recreio da antiga escola primária, hoje cedida ao RFEA, numa noite agradável, teve fogueira, marchas, sardinha assada e conversas.
Os preparativos começaram logo a seguir ao almoço à medida que foram chegando alguns dos componentes dispostos a trabalhar e a fazer do trabalho festa.
A todos que dão tanto de si a esta terra e a todos que fazem questão em marcar presença nas nossas atividades o nosso sincero agradecimento.
Continuaremos a trabalhar para fazer Alviobeira Acontecer