42º ANIVERSÁRIO DO CRCA

20 fevereiro 2019






















FOTOS: ANTÓNIO FREITAS

O Centro Recreativo e Cultural de Alviobeira fez 42 anos e nós estivemos lá.
Onze anos de vida separam o Centro e o Rancho, mas os dois cresceram juntos.
Embora pertencentes a associações distintas, com estatutos e direções próprias, as duas associações: Centro Recreativo e Cultural de Alviobeira e Rancho Folclórico e Museu Rural de Alviobeira, sempre partilharam para além do espaço, atividades, momentos, projetos e sonhos.
O primeiro ensaio do Rancho foi feito no primeiro andar deste edifício e desde então esta tem sido a sua casa, onde cresceu como associação e onde sempre reuniu a sua família.
É nesta casa, que ensaiamos, que realizamos o nosso festival de folclore e onde damos asas à nossa criatividade, apresentando sempre no palco da associação, os nossos espetáculos. Fazemos questão que os nossos projetos sejam vistos em primeira-mão na nossa casa, antes de ganharem asas e pisarem outros palcos mais “importantes”.
No CRCA, sentimo-nos em casa! Esta é efetivamente a nossa casa e temos feito de tudo para a tornar mais dinâmica, cultural e socialmente falando.
Embora o Rancho de Alviobeira seja uma associação com uma direção, esta nunca entrou em conflito com a direção do CRCA, embora tenhamos foras diferentes de estar e de funcionar. Há muito que o Rancho rompeu com o estereótipo de associação, dando maior relevo à proximidade e à discussão dos assuntos, problemas, e projetos como de uma família se tratasse. E somo-lo de facto. Aqui os assuntos são falados não em reuniões, mas em conversas nos finais dos ensaios, os formalismos de uma associação são normalmente esquecidos agilizando os processos e permitindo a realização de um extenso e intenso plano de atividades.
Nesta família há de tudo, bons e maus momentos, diálogo e zangas, amuos e disparates, mas também há amizade verdadeira que nos permite perdoar e pedir perdão, esquecer e ultrapassar as dificuldades. Uma família onde a porta de casa está sempre aberta, acolhendo quem nos procura e libertando quem aqui não quiser estar.
Para quem pertence ao Rancho há trinta e um anos, recorda-se certamente das muitas direções que passaram pelo Centro Recreativo e Cultural de Alviobeira.
Convivemos e trabalhámos com todas elas, mas se recordamos algumas com saudades, há outras que há muito esquecemos, falamos daquelas que se recusaram a trabalhar em equipa, esquecendo-se de que juntos podemos chegar mais longe e mais rápido.
Tudo se passou, ou melhor se ultrapassou… ficam os bons momentos, fica a “obra” feita, fica o exemplo de muitos Homens de bem, fica o encontro da comunidade, fica o associativismo, fica Alviobeira, ficam as pessoas e muitas memórias.
Parece que foi ontem, mas a verdade é que o Centro Recreativo e Cultural de Alviobeira já fez 42 anos e nós (rancho) estivemos lá, ainda que o único lugar disponibilizado tenha sido o palco, diga-se de passagem o nosso local de eleição, onde nos sentimos realmente bem; já o almoço foi partilhado pela direção, sócios, não sócios, associações e convidados.
Uma palavra de apreço e gratidão a todas as pessoas que sonharam com esta “casa” e que nela trabalharam e trabalham, despretensiosamente, gratuitamente e apaixonadamente.
Nós, Rancho, por cá continuamos, sempre dispostos a colaborar com o CRCA e a fazer Alviobeira acontecer! Em todas as frentes!


NATAL ACONTECE

02 janeiro 2019

















O RFEA realizou no passado domingo dia 23 de Dezembro, no largo do Coval em Alviobeira, a actividade “Natal Acontece”.
Quase a chegar ao final de 2018 e depois de um ano de intensa actividade, o Rancho quis mais uma vez, proporcionar às pessoas da aldeia e aos visitantes a possibilidade de conviver, partilhar momentos, histórias, conversas, sorrisos e abraços.
Uma festa simples, a exemplo da simplicidade do menino Jesus que escolheu um estábulo para nascer. Celebrar o Natal com o coração aberto à simplicidade e reaprender a dar valor às coisas simples da vida, foi o principal objectivo do Natal Acontece!
Dedicar tempo é o melhor presente que podemos dar a alguém, não há tempo mais valioso que o que passamos com quem amamos. Infelizmente só percebemos isto quando já é tarde de mais e já perdemos a possibilidade de dar este valor às pessoas que nos rodeiam. Este foi o nosso presente de Natal para todas as pessoas que nos acompanharam, incentivaram e inspiraram ao longo de 2018 e retribuíram com tempo, o tempo que lhe foi dedicado.
Gostamos nos nossos eventos de premiar o encontro, o toque, os cheiros e os sabores de um antigamente que embora pobre era recheado de momento únicos de alegria, partilha e solidariedade.
Num Natal cada vez mais frenético e consumista, oferecemos a simplicidade de uma festa, onde na pobreza, simplicidade e alegria reside a magia do Natal e a possibilidade de fazer acontecer Natal dentro do nosso coração.
Pobreza, simplicidade, alegria: são palavras extremamente simples, elementares, mas das quais, hoje em dia, temos medo e quase vergonha. Que saibamos, no silêncio do nosso coração, eliminar os excessos e na simplicidade que conduz à verdadeira alegria encontrar espaço e tempo para dedicar aos outros.
Nesta tarde, trouxemos memórias de outros tempos, dos tempos dos nossos avós e bisavós, tempos onde faltava muita coisa, principalmente bens materiais, mas onde abundava a alegria, a solidariedade, a partilha.
Antigamente, nesta época de Natal, não havia luzes, música de Natal, prendas, mas havia um velhoses e café de cafeteira, havia lareira acesa e havia um tronco a arder no largo da aldeia, onde os vizinhos se reuniam como uma grande família.
Havia intimidade, proximidade, encontro e partilha.
A aldeia ficava ainda mais próxima e solidária, uma grande família que se reunia e que do pouco fazia muito, pois na partilha estava a abundância.
Quem passou pelo Coval, (um pequeno largo situado a meio da Rua do Comércio e assim conhecido pelos mais antigos da aldeia e que reza a história que foram encontradas panelas enterradas com moedas e outros objectos de valor. Por isso diziam: “este lugar é o que nos vale”, dando origem a Coval, resultante da junção das palavra que e vale), teve a oportunidade de passar uma tarde bem animada, com a presença do Coro Paroquial de Alviobeira, do Grupo Pedra e Cal e do Rancho de Alviobeira.
Pode ainda ver o presépio ao vivo, deliciar-se com os mais variados doces expostos na mesa da consoada, provar os licores feitos pelo RFEA e levar para casa algumas lembranças feitas pelo RFEA.
O RFEA logo no inicio do ano irá cantar os Santos Reis e desejar a todos um ano de 2019 repleto de coisas boas e onde não falte a paz, saúde, alegria, memórias mas também sonhos e projectos, porque nunca somos demasiados velhos para sonhar e para concretizar sonhos.
Desejamos a todos Festas felizes.





RONDA DAS ADEGAS

03 dezembro 2018
















Já com o final de ano a avistar-se, ainda há tempo para a realização de mais um evento, sendo que, este, é especial e ansiado por todos com alguma expectativa.
Todos já conhecem o conceito do evento “Ronda das Adegas”, mas a curiosidade sobre os locais eleitos e as actividades escolhidas paras os mesmos, mantém-se até ao último minuto. Este é um evento que cresceu, - e a vários níveis – apresentando-se, agora “mais variado e ainda mais ecléctico”.
Para quem gosta de construções antigas, natureza, pessoas, sabores de outros tempos, não há melhor evento que este. As pedras, árvores, caminhos, lareiras, utensílios, ganham vida e contam histórias. Por momentos o silêncio que impera neste locais é quebrado pelas vozes animadas de todos aqueles que aceitam o convite do RFEA e embarcam nesta aventura.
Não há evento que dê mais prazer de organizar que este. A procura, descoberta e visita aos locais é interessante, assim como o diálogo com os proprietários e a partilha das suas histórias contadas num registo de emoção, saudade, alegria e dor.
Na limpeza dos espaços descobrem-se utensílios de trabalho, peças de mobiliário e tantos outros elementos decorativos, esquecidos à medida que foram substituídos por outros mais modernos e mais eficientes mas desprovidos de história.
Este ano o circuito escolhido contemplou casas antigas, adegas, espaços verdes, eiras, quintas, capelas espalhadas pelos lugares de Alviobeira, Cêras, Quinta do Boim, Casal Velho, Ganados, Dejusta, Casais, Torre e Azeites de Alviobeira e embora a chuva teimasse em cair, não assustou os participantes que se deslocaram em alguns locais a pé, e nas distâncias maiores, de autocarro alugado para o efeito.
A comida, expressão de cultura, memória e identidade, tem também um papel de relevo nesta Ronda. Os sabores são tradicionais e levam-nos a viajar até às cozinhas das nossas avós e bisavós e ao sabor único e especial da sua comida.
Se a comida é tradicional, já os espectáculos apresentados e escolhidos de acordo com a mística de cada local vão desde o tradicional ao mais alternativo, pretendendo mexer com as emoções do espectador.
Por fim, mas não menos importantes os cheiros, a memória olfativa é uma das mais duradouras, ultrapassando a capacidade da visão e da audição de reter referências. O cheiro de cada lembrança é como uma máquina do tempo das sensações. Bastam apenas poucos segundos para que os aromas nos façam reviver experiências — sejam elas boas ou ruins. Aqui os cheiros são intensos e inesquecíveis, daqueles que impregnam o corpo e a alma.
No final do circuito, com a chuva a não dar tréguas, uma comidinha quente na Quinta da Runfeira. A chuva era muita, o fumo enchia a cozinha da Runfeira e a confusão estava instaurada, aquela que diverte e fortalece.
Para terminar o dia um concerto caseiro, feito com amigos e para amigos.
A sala de concertos improvisada foi a adega da Runfeira, o lagar de uvas serviu de palco improvisado, e embora o conforto não fosse muito, - pormenores sem importância- , o momento foi especial. O momento teve a presença dos seguintes artistas: o Hugo, que acompanhou à viola o Mendes, Zé Carlos e Catarina, a Fatinha uma voz da qual já tínhamos saudade, o Paulo e João uma presença habitual da Ronda e do poeta Roberto.
Boa música acompanhada de velhoses acabadinhos de fritar e café da cafeteira, há lá coisa melhor!?