ANTIGA ESCOLA PRIMÁRIA - a nossa sala de estar

15 fevereiro 2017


Aos primeiros acordes e poemas, o público ficou preso ao talento e à simplicidade do grande poeta Jorge Roberto.
À hora marcada, com a viola na mão, chegou Jorge Roberto à antiga escola primária de Alviobeira, um espaço que está sobre a responsabilidade do rancho.
Desde que a escola primária nos foi cedida que o principal objetivo foi dar vida a este espaço, transformando-o num palco de experiências memoráveis, aberto à aldeia e a todos que a visitam.  
Jorge Roberto, foi o convidado, do passado domingo, para um espetáculo de caráter intimista e que recriou o ambiente de uma sala estar, privilegiando a interacção com o público.
Depois de cerca de duas horas de pura magia musical e poética todos ficaram contagiados pelo talento enorme deste artista  autodidata “da cabeça aos pés”.
Concertos na sala de estar é o conceito que queremos implementar, transformar a sala da escola primária num palco de espetáculos, permitindo uma maior proximidade e onde o silêncio permite ouvir a palavra.
A escola primária, tem duas salas, uma transformada na sala de estar, onde se realizam as atividades propriamente ditas e a outra sala foi transformada uma pequena cafetaria. Com entrada livre, o espetáculo reuniu cerca de 60 pessoas, e aqueceu a alma numa tarde de domingo fria e chuvosa.
O próximo evento será no próximo mês de Março, domingo dia doze, dando assim continuidade ao planeamento agendado para o espaço, garantido todos os meses, no segundo fim de semana, uma atividade na nossa sala de estar.






D. Emília

09 janeiro 2017




Um dos principais objetivos de um Rancho Folclórico será o de recolher e preservar os usos e costumes de um povo e transmiti-los às gerações futuras.
Dito desta forma pode até parecer que gostamos de ficar presos a um passado e que ele nos aprisiona e nos impede de ir mais além. Quem conhece o nosso trabalho sabe que este passado que queremos preservar nunca nos impediu de ir mais além, de fazer diferente, de arriscar, de ousar, de caminhar sempre com os olhos postos no futuro, mas conhecendo a importância de conhecer o passado, para entender o presente e sonhar o futuro.
Ao longo dos vinte e oito anos do Rancho, já a caminho dos vinte e nove, fomos preservando uma entidade cultural, etnográfica, folclórica, social e comunitária à medida que fomos divulgando as raízes desta terra e das suas gentes.
Neste percurso, que chamamos de vida, muitas foram as pessoas que cruzaram o nosso caminho, com algumas, criámos empatia, partilhámos projetos e sonhos, convivemos, passando a fazer parte de nós, atrevo-me a dizer para sempre.
A saudade fica mais forte, aperta o peito e deixa os olhos rasos de lágrimas, quando vamos perdendo algumas dessas pessoas, que passaram pela nossa vida, pela vida deste Rancho, do Museu, da Associação, da Paróquia, da comunidade, da aldeia e que contribuíram com o seu trabalho, presença e apoio para o seu crescimento e desenvolvimento.
Não há como não sentir uma certa nostalgia e saudade dos momentos partilhados, dos episódios passados, das histórias vividas. É bom ter memórias, é bom fazer memória!
Nesta “nossa” terra, que felizmente também é a de muita gente, tivemos o privilégio de conviver com pessoas que sonharam o mesmo sonho e sempre nos apoiaram incondicionalmente ano após ano, dia após dia, atividade após atividade, fazendo desta Alviobeira uma terra onde acontece.
Quando perdemos o Sr. António Dias, dizemos que tínhamos perdido o nosso fã numero um, mas o Sr. António nunca estava sozinho, a seu lado estava a D. Emília e os dois, durante muitos anos, ocuparam as cadeiras da primeira fila, para assistir a muitas das atuações que este Rancho fez em festas, festivais, aniversários e momentos de convívio. Sentimos sempre da sua parte um apoio incondicional, uma presença que nos ajudava a continuar. Como era bom sentir os seus olhares orgulhosos quando dançávamos e ter a certeza dos seus aplausos.
Passados quase seis anos depois de nos despedirmos do Sr. António Dias  é agora  altura de nos despedirmos da D. Emília. Sabemos que partiu serena, assim com serena viveu a sua vida.
A nós RFEA, resta-nos agradecer a possibilidade que nos foi dada de conviver com ela.
O Rancho de Alviobeira sente-se triste, mas continuará a fazer memória da vida e história da D. Emília, assim de quantos contribuíram para aquilo que somos hoje.


VISITA AO LAR DE S. MARTINHO - IGREJA NOVA

13 dezembro 2016



“A gente não leva nada desta vida”
José Martinho

Penso que o Sr. José Martinho queria dizer com esta frase é que por mais engraçado que possa parecer, pois é ai que normalmente gastamos as nossas forças, energias e preocupações, não levaremos desta vida bens materiais, posição social, casa, carros, dinheiro... nada...
Por incrível que pareça o que levamos desta vida são as coisas mais simples. Levamos cada palavra, cada abraço, cada sorriso, cada beijo, cada olhar, cada demonstração de afeto....
Levamos o amor que sentimos pela nossa família, pelos nossos entes queridos pelos nossos companheiros, pelos nossos amigos....
Levamos as experiências da vida, os momentos partilhados, o tempo que “gastamos” com os outros... Hoje ao visitar o lar da Igreja Nova para animar a festa de Natal, não conseguimos entrar sem antes admirar o espaço exterior e tirar uma foto junto à estátua do Sr. José Martinho, como alguém um dia lhe chamou, um homem de sonhos férteis.
Neste tempo de preparação para o Natal, onde as festas se sucedem, onde a agitação e o convite ao consumo imperam, saibamos fazer uma pausa para percebermos o que realmente importa. E o que importa, é ser feliz, é fazer com que as pessoas ao nosso lado sejam felizes.
Valorizar a família, os amigos, a vida... Penso que conseguimos hoje transmitir e viver essa felicidade que vem das coisas simples da vida e essa sim irá connosco para além desta vida.
Que neste Natal não percamos tempo a ter e conquistar mas a valorizar o que já temos e somos. Vamos ser felizes, hoje e sempre, aconteça o que acontecer!
E que também nós a exemplo do José Martinho sejamos um grupo de sonhos férteis!

III RONDA DAS ADEGAS

05 dezembro 2016


















Nada melhor, nos dias frios do Inverno, que uma bebida que aqueça o corpo, a alma e o coração. E o vinho é mestre nesta arte.
Aqui o vinho parece dar mote a uma entusiasmante Ronda das Adegas, da qual fazem parte provas gastronómicas, prova de vinho, conversas, música, teatro, histórias, entre outras atividades.
O dia da ronda das adegas é intenso, as emoções sucedem-se, sobrepondo-se umas às outras e o tempo passa a voar, tornando difícil reter e enumerar tudo aquilo que nos vai na alma.
Já no dia seguinte, depois de uma noite bem dormida, ou não (não é fácil dormir quando as imagens passam na nossa cabeça como fosse a película de um filme antigo), as emoções ganham outro formato, enchem o coração e começam a deixar saudades.
É para nós um privilégio organizar a ronda das adegas, dá-nos a possibilidade de visitar locais que não conhecíamos, pessoas incríveis e disponíveis que abrem as portas das suas casas de par em par e onde nos sentimos completamente à vontade. É tão grande a generosidade de algumas pessoas que largamente compensa a pequenez de outras.
O trabalho que antecede a ronda das adegas é tão mais rico e importante para nós que propriamente o dia da Ronda. Parece que vamos recuando no tempo e passamos a fazer parte daqueles cenários e das suas histórias.
Os espaços começam a ganhar vida à medida que vamos fazendo as limpezas e decorações. As pedras parecem querer falar e falam de homens e mulheres, de trabalhos e ocupações, de relações e encontros, de vidas e sentimentos, de fé e esperanças….
E cada espaço conta uma história, única, pessoal, intensa e a memória está presente tanto no património material como imaterial.
E o património aparece então como preservador de uma memória, e o espaço, como veiculador da mesma, gera "lugares de memória" que observa o espaço físico (material) como suporte para a formação de uma memória coletiva (imaterial).
A Ronda das Adegas é uma oportunidade de passear pela nossa terra, de descobrir toda a sua beleza, por vezes ali mesmo ao virar da esquina. Oportunidade para valorizar a serenidade de dias com tempo, sem pressas, dias de convívio, de conversas, gargalhadas mas também de momentos de reencontro e renovação interior.
Ordenar a vida, dar valor às pequenas coisas, deixar o sol entrar por todos os poros e o calor humano aquecer todos os lugares mais frios e sombrios da alma, pode ser feito nesta Ronda.
Mais do que visitar adegas e beber vinho, trata-se de um dia de encontros, afetos, calor (.... e o vinho vai aquecendo a alma, acalmando o coração, iluminando o coração...) e como tal deve ser olhada e vivida como um tempo para voltar ao essencial, fazer com que a nossa atenção fique mais desperta, a nossa sensibilidade mais apurada para tudo aquilo que é essencial na nossa vida. Encarada desta forma torna-se espaço de partilha e de vida.
O dia da Ronda das Adegas, passado na nossa terra traz-nos à memória a nossa história e a certeza que o futuro constrói-se sobre os alicerces do passado e que neste sentido o RFEA tem feito um trabalho ímpar.
Queremos agradecer: aos donos dos espaços visitados, Carlos Costa, Anca Poiana, Vitor Girrassol, Abílio Santos Manuel e Elizabete Sousa, Deolinda Caetano, Júlia Costa, António Cabeleira, Eduardo Pereira, Manuel e Almerinda Mendes, Associação de Caçadores dos Casais, sem a vossa generosidade nada poderia ter sido feito, à Câmara Municipal de Tomar, pela disponibilização da chave da antiga Escola Primária de Cêras; aos "artistas", Tomás Rodrigo, Nuno Garcia Lopes, Kevin Magill, Hugo Minds, João Antunes, Paulo Silva, Patrícia Rodrigues e Ana Fernandes que animaram a ronda e a tornaram mais interessante e divertida; ao Mestre Xuan Wu pelo momento de Chi Kung; ao Manuel Azevedo o nosso cavaleiro de serviço ; à União de Freguesias Casais e Alviobeira e CRCA pelo apoio; aos componentes pela dedicação e por último mas não menos importante a todos que aceitaram participar nesta ronda e fizeram Alviobeira acontecer.

III RONDA DAS ADEGAS

16 novembro 2016



ANDAIME-BAILÉU / ENTROCAMENTO

07 novembro 2016


Fotos: ANTÓNIO FREITAS
Desmontávamos ainda os andaimes, quando alguém dizia: “dá trabalho mas vale a pena!” Sim tudo vale a pena quando a alma não é pequena lá dizia o nosso grande Fernando Pessoa.
O andaime foi montado no palco da sala da Cultura do Pavilhão Municipal do Entrocamento no passado dia 5 de Novembro e durante uma hora a "obra" aconteceu. Uma hora de entrega total, onde se dá tudo, onde a vontade supera os nervos, onde as emoções são muitas e sucedem-se a uma velocidade vertiginosa. Uma hora que passa num segundo e que parece uma eternidade.
Os aplausos enchem o coração, mas o corpo e a alma parecem “esgotados” após uma hora de entrega total, sem reservas nem rede.
Agora o silêncio apoderar-se de nós, (o silêncio do depois) a entrega total parece criar em nós um vazio inexplicável, que roça a tranquilidade e a inquietude… é estranho e até contraditório este sentimento que teima em aparecer no final dos espetáculos… ou não…depois do brilho do palco, dos aplausos, do sucesso, do esforço e da entrega total, vem o silêncio... e é preciso saber lidar com ele … aprender a viver com ele…(não é fácil lidarmos com o  nosso próprio silêncio).
O silêncio em si é a oportunidade de perceber o que há dentro de nós, dentro das nossas mentes e principalmente dentro dos nossos corações... e estes parecem querer dizer-nos que não podemos parar...
Foi para este grupo um privilègio poder "montar" o andaime no Entrocamento. Uma expriência sempre única e enriquecedora
Depois da “obra” concluída é altura de tirar os andaimes e arrumá-los quem sabe para  voltar a montá-los noutros palcos, noutras lugares, noutras cidades!
Por fim alguns agradecimentos que não podemos silenciar: à Câmara Municipal do Entrocamento pelo empenho na divulgação de toda a nossa atividade cultural e etno-folclórica, aos responsáveis pelo som e iluminação do espetáculo pela amabilidade, disponibilidade e profissionalismo, ao Iúri Ramos pela simplicidade, tranquilidade e  entendimento e por fim aos Alviobeirenses, amigos e familiares (que fizeram questão em rever o espetáculo) pelo apoio incondicional. Assim voar é mais fácil!




ANDAIME - ENTROCAMENTO

21 outubro 2016