ARRAIAL DE S. PEDRO

26 julho 2018








Para comemorar o S. Pedro, o Rancho de Alviobeira realizou no passado dia 1 de Julho, mais uma vez o seu Arraial Popular, no recreio da antiga escola primária de Alviobeira.
O evento, que consiste num arraial popular, com a tradicional sardinha assada, caldo verde, doces, quermesse e apresentação de marchas populares; tem como principal objetivo o encontro da comunidade e a partilha de momentos de convívio e diálogo.
Para animar a tarde e em jeito de brincadeira o Rancho apresentou duas "marchas", a do rancho Infantil e do adulto.
No ano que comemora o seu 30º aniversário, o Rancho decidiu homenagear as mulheres do Rancho de Alviobeira, as do passado, do presente e do futuro. Assim sendo as Marchas deste ano (com consentimento do S. Pedro) tiveram como tema de inspiração a mulher.
A figura feminina foi abordada nas letras das marchas, na primeira retratada na beleza das flores e na segunda na força e no poder da super mulher.
“Maria da minha terra, és mulher de grande poder, tens a força e a coragem, tudo consegues vencer, destemida e valente és mulher de tradição, o teu destino está marcado, traçado pela tua mão…”. Estes foram os primeiros versos da marcha do Rancho adulto. Escrita, musicada, coreografada e ensaiada numa semana (pois por aqui o tempo escasseia para as muitas atividades desenvolvidas) a marcha saiu à rua e cumpriu a sua missão.
Se muitas foram e são as mulheres que fizeram e fazem parte da história deste Rancho, esta marcha foi dedicada a duas mulheres especiais e também elas super mulheres. Na Céu e na Luísa Leal, fomos buscar inspiração para escrever esta marcha e a elas a dedicámos.
A todos aqueles que encontraram um tempo na sua agenda para passarem no nosso arraial, um muito obrigado, só assim é possível fazer Alviobeira acontecer, pena que algumas pessoas continuem sem entender o conceito de unidade e as vantagens de sermos apenas um, numa aldeia tão pequena.
Aos componentes do Rancho, verdadeiros super Homens, um agradecimento especial, pela disponibilidade, entrega e generosidade.
Há muito que descobrimos que a união faz a força. Que juntos possamos continuar “a voar”.

NOIVAS DE MAIO

11 junho 2018
















Noivas de Maio

O que dizer do evento “Noivas de Maio” quando as muitas fotografias registadas falam por si!
A alegria, o movimento, o brilho no olhar de todas as “modelos”, os sorrisos, demonstram o quanto foi especial este fim de tarde em Alviobeira.
Se o dia amanheceu chuvoso e triste, mantendo-se assim até à tarde, o certo é que à hora do desfile, o sol brilhou e iluminou todos os vestidos de noiva que desfilaram na passerelle montada na Rua do Comércio e criada de propósito para o evento.
A rua estava enfeitada com as flores da época, rosas de todas as cores, adornaram e perfumaram o ambiente, o tule branco esvoaçante ajudou a criar um ambiente romântico e idílico para receber os cerca de setenta vestidos de noiva de várias épocas.
Sob os olhares atentos de todas as noivas, que emprestaram os vestidos e de muitas pessoas que fizeram questão em marcar presença, desfilaram os vestidos de noiva de várias épocas, fazendo reviver memórias passadas e momentos especiais. Retirados do baú, onde permanecia, há já alguns anos, os vestidos ganharam vida e na passerelle pareciam novos.
Desde já agradecemos a todas as pessoas que emprestaram os vestidos. As mulheres que os usaram, grande parte pertencem à nossa freguesia, outras são familiares, amigas e conhecidas dos componentes do Rancho.
Os casamentos realizaram-se na Igreja de Alviobeira, capela de Ceras, capela da Torre, Casais, Areias, Dornes, Portela da Vila, Stª Maria dos Olivais, S. João Batista em Tomar, Charola do Convento de Cristo, Fátima, Cernache do Bom Jardim, Olalhas, Rego da Murta e Pussos.
O primeiro desfile da tarde foi reservado aos mais pequenos, seres tão importantes, fruto da união e do amor de casais do Rancho de Alviobeira, que um dia decidiram unir as suas vidas e partilhar sonhos e projetos. As crianças desfilaram e nos seus rostos a nossa esperança num futuro melhor.
Seguiu-se o desfile dos vestidos de noiva, iniciando-se com a década de dois mil e foi recuando no tempo até à década de cinquenta. Por fim o desfile do trajo de noiva do Rancho de Alviobeira, uma réplica dos vestidos de noiva dos finais do século XIX.
Salientamos aqui três décadas, a de setenta, sessenta e cinquenta.
Na década de setenta assistimos a um momento alto do desfile, já que algumas das mães e sogras das componentes do Rancho casaram em 70. Nas Noivas de Maio algumas delas desfilam com os seus vestidos noivas, falamos da Marisa, da Celine e da Nela e foi um momento carregado de simbolismo, saudade e emoção.
Antigamente o dinheiro não abundava. Temos o exemplo da Laurinda Rosa Ferreira, que casou na década de sessenta, que era órfão de pai desde os 15 anos e que comprou em conjunto com o noivo, os sapatos, as meias de vidro cor da pele e o tecido para o vestido. No seu caso o vestido foi feito pela D. Eulália de Jesus da Torre mas os restantes acessórios foram alugados: o véu, a grinalda, os brincos, o saiote, as luvas da noiva e do noivo. O Ramo foi encomendado a uma florista composto por verdura de espargo, enleio branco e rosas brancas.
Quando os noivos saiam da igreja eram saudados com lançamento de pétalas e confeitos pelos quais os miúdos esperavam ansiosamente, era a ver quem apanhava mais guloseimas do meio do chão.
Os noivos levavam a sua bandeja para o seu quarto de dormir onde à noite os convidados se deslocavam para dar a visita ao casal recém-casados, comendo um bolo e bebendo um cálice de vinho do porto, como forma de agradecimento.
Antes dos noivos abrirem a porta, que estava sempre fechada à chave, ninguém entrava, os noivos abriam a porta e os convidados iam então ver a casa.
“Meus convidados são convidados para em minha casa entrar”
No caso da Sr.ª Laurinda e do Sr. Joaquim tiveram 21 meninas, de várias idades, que lhe deitaram os bolos, sendo essas jovens convidadas para o jantar da boda.
Na década de cinquenta desfilaram dois vestidos, sendo um deles, feito pela noiva, a Sr.ª Adélia e todo ele cosido à mão.
Entre 1900 e 1950 não conseguimos nenhum vestido de noiva, apenas várias fotografias, que mostram que as mulheres nesta época casavam de saia e casaco, em tom, creme, cinzento, cor de grão e algumas de preto. Utilizavam depois esse fato ou tingiam-no para outras ocasiões. Na cabeça usavam a mantilha, lenço de seda e algumas o lenço de cachené.
As mais abastadas usavam vestido até aos pés em tons claros.
Nos finais do século XIX, as mulheres casavam de preto.
Temos no Rancho de Alviobeira, duas réplicas de vestidos de noiva. Na altura das recolhas foi-nos dito que o trajo de blusa branca e saia verde, normalmente usado pela Cidália no Rancho também era usado com trajo de casamento.
Este foi o último desfile da noite, onde a cor muda completamente e o único apontamento branco era o lenço ou a blusa.
Foi um final de tarde mágica e o ambiente no fim do desfile era de casamento, com distribuição de bolos, vinho do porto e champanhe, sorrisos, abraços e "beijinhos" doces.


GALA 30º ANIVERSÁRIO

17 maio 2018


GALA 30º ANIVERSÁRIO
















FOTOS: ANTÓNIO FREITAS 

Se por um lado ansiávamos o final do mês de abril, pois o cansaço começava a fazer-se sentir, agora que ele chegou, sentimos já uma certa nostalgia.
No ano que completamos 30 anos de idade, o mês de abril, mês do nosso aniversário, foi repleto de catividades para todos os gostos, o que exigiu da nossa parte uma gestão estreita do tempo de forma a conciliar os ensaios e os espetáculos com a nossa vida pessoal e profissional.
Em certos momentos o cansaço, o stress, a insegurança apoderou-se de nós, fazendo-nos duvidar de nós próprios, das nossas competências e pondo em causa por breves momentos que fossem, o valor do nosso trabalho, já que o seu reconhecimento tarda em chegar numa terra onde muito boa gente faz questão de alhear-se da cultura, passando ao lado de uma programação cultural tão diferenciada. As dúvidas depressa se dissipam e são ultrapassadas pelas palavras de coragem e de ânimo trocadas entre os componentes e pelos aplausos e manifestações de apoio de tantos outros.
Neste grupo, constituído por amadores, sem qualquer formação académica na área do espetáculo, da música do teatro, do show Business, o trabalho imposto é exigente. Para quem está de fora até pode parecer fácil, mas colocar cerca de trinta pessoas a dançar, explorando o corpo, quebrando tabus e derrubando preconceitos, não é tarefa fácil.
Será sempre a “inquietude” tão característica deste grupo que o leva mais além, procurando novos projetos, pondo-se constantemente à prova e arriscando sempre.
Trinta anos passaram, muitas coisas mudaram, mas guardamos dos anos iniciais, a mesma força e a mesma ousadia, que sempre nos caraterizou e que conseguiu cativar alguns e incomodar outros.
Nunca baixámos os braços, desenvolvendo um trabalho válido no campo do folclore e da etnografia e acreditando que este grupo estimula o trabalho em equipa e desenvolve competências.
Estes trinta anos não teriam sido possíveis sem a colaboração, estímulo e empenho de muitas pessoas que passaram por este grupo. A todas o nosso muito obrigado.
Um agradecimento a todos aqueles que aceitaram participar na nossa Gala de Aniversário, tornando-a ainda mais glamorosa.
Ao António Freitas um obrigado especial pelo registo fotográfico, as suas fotos fazem-nos sentir verdadeiras estrelas de Hollywood.
Ao público um sincero obrigado pela presença e pelo incentivo, fazendo-nos acreditar que vale a pena continuar.



MISSA DE ANIVERSÁRIO 30º ANIVERSÁRIO RFEA

26 abril 2018