
















Nada melhor, nos dias frios do
Inverno, que uma bebida que aqueça o corpo, a alma e o coração. E o vinho é
mestre nesta arte.
Aqui o vinho parece dar mote a uma entusiasmante Ronda das Adegas, da qual
fazem parte provas gastronómicas, prova de vinho, conversas, música, teatro,
histórias, entre outras atividades.
O dia da ronda das adegas é intenso, as emoções sucedem-se, sobrepondo-se umas
às outras e o tempo passa a voar, tornando difícil reter e enumerar tudo aquilo
que nos vai na alma.
Já no dia seguinte, depois de uma noite bem dormida, ou não (não é fácil dormir
quando as imagens passam na nossa cabeça como fosse a película de um filme
antigo), as emoções ganham outro formato, enchem o coração e começam a deixar
saudades.
É para nós um privilégio organizar a ronda das adegas, dá-nos a possibilidade
de visitar locais que não conhecíamos, pessoas incríveis e disponíveis que
abrem as portas das suas casas de par em par e onde nos sentimos completamente
à vontade. É tão grande a generosidade de algumas pessoas que largamente
compensa a pequenez de outras.
O trabalho que antecede a ronda das adegas é tão mais rico e importante para
nós que propriamente o dia da Ronda. Parece que vamos recuando no tempo e
passamos a fazer parte daqueles cenários e das suas histórias.
Os espaços começam a ganhar vida à medida que vamos fazendo as limpezas e
decorações. As pedras parecem querer falar e falam de homens e mulheres, de
trabalhos e ocupações, de relações e encontros, de vidas e sentimentos, de fé e
esperanças….
E cada espaço conta uma história, única, pessoal, intensa e a memória está
presente tanto no património material como imaterial.
E o património aparece então como preservador de uma memória, e o espaço, como
veiculador da mesma, gera "lugares de memória" que observa o espaço
físico (material) como suporte para a formação de uma memória coletiva
(imaterial).
A Ronda das Adegas é uma oportunidade de passear pela nossa terra, de descobrir
toda a sua beleza, por vezes ali mesmo ao virar da esquina. Oportunidade para
valorizar a serenidade de dias com tempo, sem pressas, dias de convívio, de
conversas, gargalhadas mas também de momentos de reencontro e renovação
interior.
Ordenar a vida, dar valor às pequenas coisas, deixar o sol entrar por todos os
poros e o calor humano aquecer todos os lugares mais frios e sombrios da alma,
pode ser feito nesta Ronda.
Mais do que visitar adegas e beber vinho, trata-se de um dia de encontros,
afetos, calor (.... e o vinho vai aquecendo a alma, acalmando o coração,
iluminando o coração...) e como tal deve ser olhada e vivida como um tempo para
voltar ao essencial, fazer com que a nossa atenção fique mais desperta, a nossa
sensibilidade mais apurada para tudo aquilo que é essencial na nossa vida.
Encarada desta forma torna-se espaço de partilha e de vida.
O dia da Ronda das Adegas, passado na nossa terra traz-nos à memória a nossa
história e a certeza que o futuro constrói-se sobre os alicerces do passado e
que neste sentido o RFEA tem feito um trabalho ímpar.
Queremos agradecer: aos donos dos espaços visitados, Carlos Costa, Anca Poiana,
Vitor Girrassol, Abílio Santos Manuel e Elizabete Sousa, Deolinda Caetano,
Júlia Costa, António Cabeleira, Eduardo Pereira, Manuel e Almerinda Mendes,
Associação de Caçadores dos Casais, sem a vossa generosidade nada poderia ter
sido feito, à Câmara Municipal de Tomar, pela disponibilização da chave da
antiga Escola Primária de Cêras; aos "artistas", Tomás Rodrigo, Nuno
Garcia Lopes, Kevin Magill, Hugo Minds, João Antunes, Paulo Silva, Patrícia
Rodrigues e Ana Fernandes que animaram a ronda e a tornaram mais interessante e
divertida; ao Mestre Xuan Wu pelo momento de Chi Kung; ao Manuel Azevedo o
nosso cavaleiro de serviço ; à União de Freguesias Casais e Alviobeira e CRCA
pelo apoio; aos componentes pela dedicação e por último mas não menos
importante a todos que aceitaram participar nesta ronda e fizeram Alviobeira
acontecer.