
Durante anos, após anos, habituamos-mos a conhecer, a lidar e a gostar do Sr. António João, não havia como não gostar.
Uma pessoa simples, que fazia do seu fato-macaco a sua principal indumentária, talvez uma forma de mostrar que estava sempre pronto para o trabalho e de facto estava.
Sempre a correr e atarefado, eram muitas as actividades, muitos burros para tocar, e nenhum ficava para trás.
Por tudo e por nada, lá estávamos nós a “chateá-lo! Todas as nossas actividades quer no Rancho, quer na catequese, eram obrigatoriamente patrocinadas pelo Sr. António, ele era o nosso cenógrafo de serviço. Lá iam-mos nós falar com ele, e éramos sempre bem recebidos, com um sorriso e uma palavra tantas vezes usada por ele: Diga lá menina!
E nós contentes por sermos tratadas por meninas lá íamos desbobinando as nossas ideias e projectos, e ele no seu pouco tempo, satisfazia os nossos desejos, como de ordens se tratassem.
E os nossos sonhos e ideias, iam ganhando asas nas suas mãos, e como eram diversificados os nossos projectos: um globo, um Barco, um palco quando decidimos fazer uma passagem de modelos, dobadouras quando nos lembrámos fazer os 10 anos dourados.
Nunca da sua boca ouvimos: não posso, não tenho tempo… apenas um sorriso nos lábios e uma disponibilidade quase imediata.
É esse sorriso nos lábios, que fica na nossa memória, é esse sorriso que hoje já recordamos com saudade e que queremos guardar na memória para sempre.
Muitas foram as horas gastas ao serviço dos outros, ao serviço desta comunidade que muito lhe deve.
Olhando para trás e sentimos um enorme privilégio por ter partilhado consigo tantos momentos, únicos, importantes, grandiosos.
Obrigado Sr. António!